Laudo independente reforça inconsistências de metodologias usadas pela CPRM
Estudo aponta que tipo do solo no Pinheiro, Mutange e Bebedouro influenciou nos danos da região
Uma nova análise independente de especialistas de São Paulo e Londres confirma e concorda com os pesquisadores da Universidade de Houston: existem inconsistências de metodologias usadas na elaboração do Relatório Síntese da CPRM para explicar os fenômenos geológicos dos bairros Pinheiro, Mutange e Bebedouro, em Maceió. O relatório aponta também que as propriedades do solo interferiram nos danos dos três bairros.
O trabalho é assinado por uma equipe de geólogos, geofísicos e engenheiros civis - quatro professores da USP (Universidade de São Paulo) e um professor do Imperial College de Londres.
Segundo os especialistas, o relatório da CPRM apresenta inconsistência de interpretação, com conclusões precipitadas diante das restrições de alguns métodos utilizados. Por exemplo: a Gravimetria (método utilizado para auxiliar na interpretação da existência de falhas geológicas) feita pela CPRM só permite avaliar estruturas até 400m. Assim, em maiores profundidades o método não tem resolução suficiente para tirar conclusões. A extração de sal-gema da Braskem é feita em profundidade maior que 900m. “Os dados gravimétricos não têm informação quase nenhuma sobre estruturas mais profundas do que 400m”, afirmam.
Sobre a qualidade do solo, os pesquisadores explicam que a CPRM não explicitou seu efeito sobre os afundamentos e trincas. Eles pontuam que a presença de sumidouros ou de erosão interna do solo é descrita em termos muito superficiais como se ocorressem genericamente em todo o município faltando seu detalhamento ou distribuição preferencial em área.
Os pesquisadores foram a campo e fizeram uma avaliação detalhada das fissuras dos bairros e constataram que a direção delas não é compatível com a atividade de extração de sal-gema.
Em relação ao tremor de terra ocorrido em março do ano passado, os pesquisadores concluíram que ele é de origem natural, e não provocado por ação humana, como assinala o relatório da CPRM. A justificativa que consta no relatório da CPRM para essa conclusão foi a verificação de ondas de profundidade rasa. No entanto, os especialistas apontaram que o termo “raso” não foi quantificado.
A equipe que participou da elaboração do relatório é coordenada pelo renomado professor doutor em geologia Georg R. Sadowski, conta com a colaboração de outros professores doutores como o geólogo John Cosgrove, o geofísico Marcelo Assumpção, os engenheiros civis Tarcísio B. Celestino e Luiz G. de Mello todos com ampla experiência científica e tendo formações acadêmicas incluindo a Universidade de São Paulo, o Imperial College de Londres, a Universidade de Edinburgh na Escócia e a Universidade de Berkeley na Califórnia.
A Braskem encaminhou os estudos e análises recebidas à Agência Nacional de Mineração (ANM). A empresa tem compromisso com as pessoas de Alagoas e reafirma sua atuação responsável, em busca das causas e das soluções mais seguras e adequadas para todos.
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