Relatório aponta novas deformações no solo do Pinheiro
Fechamento de poços da Braskem em Maceió é tema de reunião
A Coordenadoria Especial Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec) reuniu-se nesta quarta-feira (27) com representantes da Defesa Civil Nacional, Ministério de Minas e Energia, Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Agência Nacional de Mineração (ANM), Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e de órgãos municipais para discutir o projeto preliminar de fechamento de parte dos poços de extração de sal-gema apresentado pela Braskem. A mineradora é apontada como responsável pelo fenômeno de subsidência que afeta os bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto, conforme relatório técnico apresentado em maio pela CPRM.
Na reunião, a Defesa Civil apresentou resultados do trabalho de monitoramento dos bairros que mostra evolução das feições de instabilidade e surgimento de novas deformações visíveis em ruas e edificações.
Um dos pontos abordados foi a situação dos bairros após apresentação de dados pela Agência Nacional de Mineração (ANM), em audiência pública na Câmara Federal no último dia 19. Na ocasião, representantes da agência mostraram que os estudos de sonar realizados pela mineradora confirmam a instabilidade nas minas, conforme apontam relatórios técnicos da CPRM.
“A Braskem apresentou um plano de fechamento das cavernas que precisa ser bem esclarecido entre os órgãos de fiscalização federais. Isso para que o Município entenda e tenha o aval desses órgãos técnicos e fiscalizadores. Precisamos nos alinhar, até porque nesse plano há a previsão da realocação de famílias”, afirmou o coordenador-geral da Defesa Civil de Maceió, Dinário Lemos.
O secretário de Governo, Eduardo Canuto, salientou que as ações da Prefeitura são orientadas pelos dados técnicos do Seviço Geológico do Brasil (CPRM). “Há pouco mais de dez dias fomos procurados pela Braskem, que apresentou um relatório que propõe o fechamento dos poços. Esse fechamento dos poços já era uma recomendação do Ministério Público e dos órgãos de controle. A Prefeitura, por meio da Defesa Civil Municipal, requisitou a presença da CPRM, da Agência Nacional de Mineração e a Defesa Civil Nacional para que a gente possa definir qual será nossa linha de trabalho para resguardar a segurança da população da região. É importante discutir uma unidade de trabalho, juntamente com o Governo Federal”, afirmou.
O geólogo e coordenador dos estudos da CPRM em Maceió, Thales Sampaio, explica que não há novidades do ponto de vista técnico, uma vez que as deformidades nas cavidades mostradas pelos estudos de sonar já haviam sido apresentadas pela CPRM. “O Serviço Geológico do Brasil vem aqui apenas reafirmar o que já foi divulgado e que aponta a desestabilização das cavidades, fato que não era admitido pela Braskem, assim como não admitia a subsidência na área. Hoje está comprovado que há subsidência, bem como a desestabilização de 14 cavidades, mas também há outras cavidades que precisam ser analisadas e a gente acredita que esse número pode chegar a 20”, pontuou.
Participaram da reunião representantes da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compdec), Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Agência Nacional de Mineração (ANM), Ministério de Minas e Energia, Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Secretaria Municipal de Governo (SMG), Secretaria Municipal de Desenvolvimento Territorial e Meio Ambiente (Sedet), Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra) e Procuradoria Geral do Município (PGM).
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