[Vídeo] Alagoanas isoladas em Lima não conseguem voltar ao Brasil
Turistas de Maceió relatam incertezas e preocupação com a Covid-19
Apesar de o Ministério do Turismo ter informado, na quinta-feira (19), que turistas brasileiros isolados no Peru retornarão ao Brasil nesta sexta (20), o clima ainda é de incertezas para duas alagoanas que estavam viajando pela América do Sul e que deveriam ter retornado para casa na terça-feira (17).
"Não é bem assim. Vai voltar quem tinha comprado passagem aérea pela Gol e Latam. Eles vão buscar as pessoas que compraram passagens, não são voos humanitários. Quem viajou pela Avianca, como eu, e outras, está ao 'Deus dará'", afirma a maceioense Laís Dantas, que viajou junto com a amiga Patrícia Santana Ferreira e que está sob isolamento em Lima, capital do Peru.
A dupla viajou no dia 07 e chegaram em Lima, no dia 11 e, dois dias antes da viagem de volta para o Brasil, no dia 15 de março, o governo peruano fechou as fronteiras, com o objetivpo de conter o avanço da doença provocada pelo coronavírus, e os voos internacionais foram cancelados no final do dia seguinte. Posteriormente, o governo abriu as fronteiras para que os turistas estrangeiros pudessem retornar ao país de origem, mas as empresas áreas já haviam cancelado todos os voos.
Segundo informações do Ministério do Turismo brasileiro, um total de 622 turistas do Brasil ficaram retidos no Peru desde o fechamento das fronteiras e, nesta sexta, saírão quatro voos da Latam de Lima e de Cusco em direção ao Brasil.
Em Lima, Laís Dantas conta que ela e Patrícia Santana não podem sair do hostel onde estão hospedadas. Há uma determinação do governo local de que as pessoas só podem sair para ir à farmácia ou supermercado. "Mas o pessoal que está fazendo o policiamento nas ruas reclamou que tinha muita gente daqui saindo, então o pessoal do hostel definiu, junto com os policiais, que vai ter uma pessoa, uma ou duas vezes no dia, que vai sair com a lista de compras e dinheiro que a gente vai dar. Só que para a gente o dinheiro já acabou, estamos usando cartão para suprir as despesas", declarou.
Sem poder sair de casa, a alagoana conta que passa o dia inteiro no celular, fazendo contato com a família que mora em Maceió e buscando informações sobre quando poderá finalmente voltar para casa. "A saudade de casa é enorme, eu sou uma pessoa de pensamento positivo, mas o que mais deixa a gente preocupado é esse vai e vem de informações. Uma hora dizem que os turistas brasileiros vão voltar para casa, depois a gente descobre que não é bem isso. Mesmo com passagem comprada, tem muita gente que vai ficar. Ficamos à espera de informações sobre quando iremos voltar e é muito angustiante", relata.
A angústia, de acordo com ela, é compartilhada pelos parentes. O temor, provocado pela falta de dinheiro, desabastecimento de alguns itens de supermercado e a falta de uma previsão para voltar para casa, é compartilhado tanto por elas como pelos familiares.
"Da mesma forma que eu fui perdendo as esperanças de voltar logo para casa com tanta informação desencontrada, meus familiares também estão assim. Minha mãe, a cada dia que passa, fica mais preocupada e eu fico ainda mais em vê-la desse jeito. A minha amiga, Patrícia, está ficando desesperada aqui. Ela tem uma filha que tem menos de dois anos. Ela se dispôs ficar longe dela durante 11 dias e agora não sabe nem quando vai voltar para ela. E a filha, mãe, irmã dela, todos sentindo falta e muito preocupados. Imagina a situação: você ter uma filha ou uma mãe, que você sabe que está presa em um lugar e não sabe quando vai voltar. Enquanto isso, políticos ficam dizendo que todos os brasileiros vão voltar do Peru. E nós, somos o quê? Não somos brasileiros? O que será feito por nós?", ressaltou.
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