É falso que vacina contra Covid-19 seja experimental ou altere o DNA
Médico americano espalha diversas informações falsas em vídeo compartilhado nas redes sociais
Circula em grupos do WhastsApp o vídeo de um médico americano com várias teorias sobre a vacina contra a Covid-19. Entre elas, a ideia de que o imunizante seria uma terapia genética experimental que causaria mudanças no DNA, além de defender a imunidade de rebanho pelo contágio. As informações são falsas. Agências internacionais já desmentiram os boatos.
O vídeo circula no Brasil com dublagem em português, mas também há versões com legendas em espanhol e outros idiomas. O homem se identifica como Steven Hotze, fundador e CEO do Hotze Health & Wellness Center, em Houston, no Texas, Estados Unidos.
Ele inicia o vídeo com a afirmação de que a imunização seria uma prática comercial enganosa. “A chamada vacina Covid-19 não é uma vacina de forma alguma. É uma perigosa terapia genética experimental de ácido ribonucléico mensageiro sintético (mRNA). A chamada vacina Covid-19 não oferece imunidade contra a Covid-19 para qualquer indivíduo que seja vacinado, nem evita a disseminação da doença. Essa terapia representa um perigo muito maior para a sua saúde do que a própria Covid-19”, diz o médico.
Hotze já recebeu uma carta do Centro Internacional de Saúde e Bem-Estar com o pedido de que parasse de oferecer tratamentos anticientíficos contra Covid-19. O médico americano também defende imunidade de rebanho natural, que seria permitir que toda população fosse contaminada pelo vírus: “Esta terapia genética experimental não erradicará o coronavírus. Mesmo sem esta chamada vacina, as infecções irão diminuir à medida que mais pessoas desenvolvem imunidade de rebanho natural”.
No entanto, argumentar que as vacinas de mRNA, como a da Pfizer, não são vacinas é "falso" porque "a proteína produzida é exatamente a mesma que muitas / quase todas as vacinas", disse Jeffrey Cirillo, professor de imunologia da Regents da Texas A&M College of Medicine à AFP por e-mail. Ele explicou que mais proteína é produzida pela introdução de mRNA e "é por isso que essas vacinas de mRNA funcionam tão bem".
Para o médico, a suposta terapia genética faria alterações no DNA. A informação não procede. Leida Calegário, doutora e professora de imunologia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), explica que isso não acontece. “O DNA humano continua intacto. A mRNA do vírus, contida na vacina, vai atuar somente na tradução da informação, ou seja, no ribossomo e não no núcleo das nossas células (onde fica o DNA). O mRNA do vírus vai produzir uma proteína estranha para que o sistema imunológico gere uma resposta imune, aprenda a combater o “agente estranho” e memorize esse processo de “defesa” para repetir em novos ataques”, detalha no canal LinfoTube.
O professor de imunologia de uma faculdade de medicina do Texas, Jeffrey Cirillo, disse à agência de checagem de informações AFP que a ideia de que as vacinas de mRNA não são vacinas é falso. “A proteína produzida é exatamente a mesma de quase todas as vacinas", disse ao lembrar que mais proteína é produzida pela introdução de mRNA e "é por isso que essas vacinas de mRNA funcionam tão bem".
A teoria da imunidade de rebanho natural, defendida pelo médico americano também não tem base científica. A ideia é que toda população fosse contaminada pelo vírus e, assim, ficaria imune. Pedro Hallal, doutor em Epidemiologia, descarta que a medida seria a solução. “Toda a população já teve acesso ao vírus da gripe, por exemplo, e não tem imunidade de rebanho, porque há mutação do vírus, a quantidade de anticorpos não é tão duradoura e sempre tem gente para ser infectado por gripe. A imunidade de rebanho é atingida quando basicamente não tem mais gente para ser infectada. E isso é difícil no caso dessas doenças nas quais os anticorpos não têm uma duração tão longa”, explica Hallal.
As informações expostas pelo americano já foram desmentidas pelo site Boatos.org, AFP e Newtral que tem parceria com Estadão Verifica. Todas as teorias sem estudos científicos são divulgados com o objetivo de colocar em dúvida a eficácia dos imunizantes contra a Covid-19. O Brasil atingiu nessa segunda-feira (19) o número de 26,6 milhões de vacinados, o que representa 12,59% da população. Com a imunização da população mais idosa em Alagoas, a taxa do risco de internação sofreu queda nas unidades hospitalares geridas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).
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