Jó Pereira critica sobra no caixa do Fecoep: “Uma cesta básica por ano não combate a pandemia”
Deputada alertou para a falta de ação em plena crise sanitária.
Durante um debate nesta quinta-feira (27), no plenário da Assembleia Legislativa, sobre a situação da pandemia do novo coronavírus em Alagoas e o possível colapso na rede pública hospitalar, a deputada Jó Pereira criticou o fato de, em plena crise sanitária, o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep) ter, em caixa, uma sobra de recursos na ordem de R$ 88 milhões, referente apenas ao primeiro trimestre deste ano, conforme relatório divulgado no Diário Oficial.
A fala da parlamentar foi em aparte ao pronunciamento da deputada Ângela Garrote que, entre outros pontos, cobrou do Poder Executivo o pagamento aos hospitais que firmaram parceria com o governo estadual para o atendimento a pacientes com Covid-19, e solicitou a intermediação da Comissão de Saúde da Casa para uma reunião com o secretário de Saúde, Alexandre Ayres.
“Só entre janeiro e março deste ano, há uma sobra de recursos de R$ 88 milhões do Fecoep, em plena pandemia. Em plena pandemia. A culpa é do conselheiro que está lá? É do conselheiro que, ano passado autorizou uma cesta básica e esse ano outra? Como é possível uma cesta básica por ano para combater e enfrentar a pandemia? Não é possível”, desabafou Jó, lembrando que, para o enfrentamento eficaz da crise, é necessário união e olhar para quem mais precisa.
“O pobre precisa estar no orçamento e na nossa motivação diária de exercer o cargo de prefeito, vereador, deputado, governador... Todo e qualquer ocupante de cargo eletivo ou servidor público tem que ter como foco aquele que mais precisa”, completou.
No início do aparte, Jó citou trechos de uma fala do menestrel das Alagoas, Teotonio Vilela, da qual disse concordar: "A cada dia fico mais preocupado. Os atos praticados pelas autoridades são sempre piores e no sentido inverso daquilo que nós desejamos. A sociedade é cada dia mais pobre no conjunto. E os miseráveis mais miseráveis. Temos que acabar com as desigualdades sociais, esse é o objetivo básico. As instituições estão silenciosas porque não têm nada para dizer... Mas, temos que fazer alguma coisa pela pátria, porque há realmente uma pátria. Apesar de todas as desgraças há uma pátria. E esta pátria se eu pudesse renascer hoje, iria dedicar todo o meu tempo novo em uma campanha de restauração da dignidade da vida do país."
Frisando a preocupação com a situação da pandemia no estado, sobretudo no que diz respeito a um possível colapso na rede hospitalar, Jó contou que recebe diariamente imagens e relatos de pacientes desesperados, em vários hospitais de Alagoas, comentando como estão sendo tratados durante os atendimento. Ela relatou que, ontem, recebeu a informação de uma importante instituição de saúde que atua na região sul de Alagoas que o Estado deve a esse hospital, único da região com leitos disponíveis para pacientes com Covid-19, cerca de R$ 3 milhões.
A deputada também voltou a cobrar prioridade na vacinação para usuários do transporte público coletivo e lembrou que o governo precisa estar atento as demandas represadas na área da saúde, a exemplo do atraso na entrega de medicamentos para várias doenças, suspensão de cirurgias, consultas e do diagnóstico precoce do câncer, que já era precário e hoje praticamente não existe.
Sobre a reunião com a Sesau cobrada por Ângela Garrote, Jó disse que a Casa vem solicitando isso há algum tempo, mas até agora o encontro ficou apenas na promessa. “Ouvir essa Casa é essencial. Foi prometido também que a Comissão de Saúde participaria da mesa de situação da pandemia, mas semanas se passaram e, infelizmente ficamos sem conseguir colaborar. Ficamos falando daqui para quem não ouve de lá”.
“Alguns anos atrás, essa Casa mostrou que só é forte unida. Nossa força está naquilo que nos une”, finalizou, reforçando a necessidade de planejamento e união de esforços para o combate a Covid-19.
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