Órgãos públicos cobram explicações da Prefeitura, após ação truculenta contra população em situação de rua
Além da cópia do procedimento e explicações em até cinco dias, o ofício também solicita que bens pessoais sejam devolvidos em 24 horas
A Coordenadoria dos Direitos Humanos do Tribunal de Justiça de Alagoas e a Defensoria Pública do Estado solicitaram nessa sexta-feira, 16, que a Prefeitura de Maceió explique e adote providências diante da ação truculenta ocorrida na Praça Marcílio Dias, em Jaraguá, na tarde do dia 8 de dezembro. As informações foram recebidas na noite da última terça-feira, 14, quando o coordenador de Direitos Humanos do Tribunal de Justiça de Alagoas, Tutmés Airan, e o defensor público, Isaac Costa, estavam próximos ao local, em uma atividade realizada junto ao Consultório na Rua.
Colhidos os relatos, os órgãos noticiaram à Prefeitura que a violência foi cometida durante uma operação da Guarda Municipal em conjunto com a Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), momento em que foram retirados bens individuais das pessoas em situação de rua – inclusive com emprego de violência. No local, havia cerca de 50 pessoas presentes, entre elas, algumas com deficiências visual, auditiva, entre outras.
Para o defensor público Isaac Costa, há um confronto entre a função destas instituições com as práticas apresentadas. “Essas ações são inadmissíveis e contrariam absurdamente a Constituição Federal e todo o ordenamento jurídico de assistência social, ainda mais realizadas por instituições que deveriam dar guarida e se envolver na garantia da dignidade das pessoas em situação de rua”, disse.
Além de uma série de outras violações aos direitos humanos, houve ainda o conhecimento de que as remoções forçadas vêm sendo recorrentes na orla marítima, com igual emprego de violência e apreensão arbitrária de bens pessoais. Estas operações ocorreram, inclusive, na madrugada do dia 10 – data em que é celebrada a Declaração Universal dos Direitos Humanos – e no dia 12 de dezembro. Todos os casos são atribuídos à Guarda Municipal e à SEMAS.
Diante da comunicação, a Coordenadoria de Direitos Humanos do Tribunal de Justiça, e o Núcleo de Proteção Coletiva da Defensoria Pública do Estado, solicitaram que a Prefeitura encaminhe em até cinco dias a cópia do procedimento administrativo completo da operação realizada no dia 08 de dezembro, e das ações de retirada de bens e remoção ocorridas nos dias seguintes. O documento pede, ainda, que o Município devolva em até 24 horas os bens tomados. Finalmente, solicita a suspensão imediata de operações desta natureza, ao tempo em que não desconsidera a responsabilização nos âmbitos administrativo, cível e criminal.
Confronto à dignidade da pessoa humana
A gravidade dos relatos e fotos que fundamentaram o documento é expressa no ofício diante do contraste em que essa ação se coloca contra um dos fundamentos da Constituição Federal, que versa sobre a dignidade da pessoa humana, e que interpõe, entre os objetivos fundamentais, erradicar a pobreza e a marginalização, e reduzir as desigualdades sociais e regionais.
O documento ainda rememora que, após recente audiência pública do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as condições vivenciadas por pessoas em situação de rua, o ministro Alexandre de Moraes decidiu chamar governadores, prefeitos de capitais e associações de prefeitos, para discutir as principais questões apresentadas na audiência: como evitar que a pessoa chegue à situação de rua, dar-lhes dignidade enquanto estão nas ruas, e como ajudá-las a sair.
Últimas notícias
Inmet emite três alertas de baixa umidade para diversos municípios de Alagoas
Foragido da Justiça de Sergipe por sequestro e cárcere é preso em Maceió
Mulher é presa por tráfico de drogas em ponto de vans no Centro de Arapiraca
Hemoal levará equipe itinerante para coletar sangue em Coruripe nesta quinta (5)
Prefeitura de Maceió leva iluminação azul a viadutos e à Avenida Sílvio Vianna
Justiça concede liberdade provisória a suspeito de matar mulher a facadas em Penedo
Vídeos e noticias mais lidas
Governo de Alagoas inicia cobrança pelo uso de água de rios e poços no estado
Táxi de Arapiraca fica submerso após avanço da correnteza na Praia do Peba
[Vídeo] Polícia Civil divulga imagens da perseguição ao Guarda Municipal morto em Teotônio Vilela
Morador de Arapiraca está no interior de SP e quer voltar para Alagoas
