Guerra na Ucrânia deve fazer Brasil ultrapassar Rússia como destino de investimentos europeus
Previsão está em estudo elaborado pela ApexBrasil, em parceria com a União Europeia no Brasil
O Brasil deve se tornar o principal destino de investimentos europeus em países emergentes nos próximos anos, ultrapassando a Rússia. O motivo é a guerra na Ucrânia, de acordo com a segunda edição do Mapa Bilateral de Investimentos Brasil – União Europeia, divulgada na sexta-feira (17) pela ApexBrasil.
Segundo o estudo, o Brasil ocupa atualmente a segunda posição entre países emergentes que recebem investimento europeu, com estoque de 263 bilhões de euros (EUR), atrás apenas da Rússia, com EUR 279,2 bilhões.
Dentro desse bloco, o Brasil foi o segundo destino mais rentável para os investimentos das empresas europeias, com retorno de EUR 14,3 bilhões, atrás da China, cujo retorno foi de EUR 16,6 bilhões em 2020. A Índia, que tem uma economia maior que a do Brasil, auferiu lucros substancialmente menores, EUR 4,5 bilhões.
O relatório aponta ainda que o Brasil tem a vantagem de ser “um dos maiores detentores de recursos naturais do planeta, posicionando-se como protagonista nas negociações ambientais internacionais”.
Entre as empresas europeias que investem no Brasil, destacam-se justamente as voltadas à produção de energia limpa e as que contribuem para o processo de descarbonização das cadeias produtivas e de transporte, auxiliando o país em seu processo de transição energética.
Durante o evento de lançamento do Mapa, a EDP Brasil anunciou que pretende investir R$ 30 bilhões nos próximos cinco anos. A metade desse valor em projetos de geração de energia limpa, renovável, e o restante em redes de transmissão e distribuição.
O presidente da EDP, João Marques da Cruz, apontou dois fatores que justificam a escolha do país como destino dos investimentos: o sistema regulatório e as parcerias público-privadas, como os leilões de transmissão de energia e as concessões.
“O Brasil é um país com uma regulação estável e sofisticada, isso é um grande ativo. Eu acredito, confio, espero que esse ativo não seja destruído e os indícios que temos vão no sentido de que as autoridades brasileiras querem manter esse ativo”, destacou Cruz.
O executivo alertou ainda que “a pior coisa que o investidor gosta de ouvir é que mudaram as regras do jogo”.
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