Alvo da PF em venda de joias de Bolsonaro, pai de Mauro Cid recebia R$ 63 mil na Apex em Miami
Lourena Cid foi indicado para a função em 2019 a pedido de Bolsonaro
Durante a gestão Jair Bolsonaro (PL), o general da reserva Mauro Lourena Cid ocupou um cargo na Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) nos Estados Unidos. No cargo, ele recebia salário de aproximadamente R$ 63 mil.
O militar é pai do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordem de Bolsonaro.
Ambos foram alvos de uma operação nesta sexta-feira que investiga a venda ilegal de joias recebidas como presente pelo então presidente em uma viagem oficial.
Indicação a pedido
Lourena Cid foi indicado para a função em 2019 a pedido de Bolsonaro. Era o responsável pelo escritório da Apex em Miami. Esteve no cargo até o fim de 2022.
Pouco antes de entrar para a reserva, o general chefiou o Departamento de Educação do Exército.
Entorno de Bolsonaro
Nesta sexta-feira, com autorização do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão. A suspeita é que um grupo do entorno de Bolsonaro tenha cometido os crimes de peculato e lavagem de dinheiro.
Eles são suspeitos de vender e, depois recomprar, joias que foram dadas Bolsonaro. A recompra ocorreu para cumprir uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinou a devolução dos objetos ao patrimônio público.
Reflexo
Uma das fotos utilizada para negociar a venda de joias recebidas como presente oficial pelo governo federal revela o rosto do general Lourena Cid no reflexo da caixa.
A investigação da PF revelou conversas datadas de 4 de janeiro deste ano, nas quais Mauro Cid pediu para que o pai tirasse foto das joias. Em seguida, ele manda as fotos de dois objetos: uma palmeira e um barco dourados.
A apuração tenta descobrir se os valores obtidos da comercialização desses objetos teriam sido convertidos em dinheiro vivo e “ingressaram no patrimônio pessoal dos investigados, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem, localização e propriedade dos valores”.
A operação foi batizada como “Lucas 12:2″, em referência a versículo da Bíblia, cujo trecho diz: “Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”.
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