OAB e Conselho Nacional dos Direitos Humanos apresentam relatório sobre vítimas da Braskem
Durante coletiva na sede da Ordem, Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) e do Conselho Federal da OAB (CFOAB) apontaram inúmeras violações
A Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB/AL), juntamente com o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) e do Conselho Federal da OAB (CFOAB), apresentou, nesta quarta-feira (13), durante coletiva de imprensa, um diagnóstico prévio acerca da situação dos moradores do Bom Parto, dos Flexais e das demais localidades afetadas pelas ações da Braskem. O documento foi produzido pelo CNDH a partir de uma inspeção realizada nessas regiões da capital e junto aos moradores prejudicados pela tragédia.
Na oportunidade, o CNDH informou que, ao longo dos três dias em que a comitiva de inspeção esteve em Maceió, inúmeras violações de várias ordens foram constatadas, entre elas, violações ao direito à saúde, à moradia, alimentação, ao transporte, à segurança, ao meio ambiente, ao acesso à justiça e à informação.
O Conselho ressaltou que será elaborado um relatório sistematizando todas as informações que foram obtidas durante as visitas. “Do ponto de vista dos Direitos Humanos, o que vimos aqui é muito preocupante. Estamos falando de um crime que atravessou a vida de várias famílias de maneira cruel. O Conselho Nacional de Direitos Humanos fará o seu relatório e expedirá as recomendações”, explicou Marina Dermman, presidente do CNDH.
Ao longo da reunião, o Conselho apontou algumas das solicitações que serão feitas, dentre elas, a criação de um comitê de gestão técnica com a participação de atores sociais diretamente atingidos pelo crime da Braskem; a suspensão, pela Agência Nacional de Mineração (ANM), de todas as autorizações de pesquisa da Braskem, seja para sal-gema e/ou qualquer outro mineral, e a suspensão definitiva pela Agência Nacional de Águas (ANA) das outorgas de uso de recursos hídricos concedidas à Braskem.

Por fim, também será requerida a inclusão de realocação e justas indenizações às comunidades em situação de ilhamento socioeconômico, como Flexais, Bom Parto, Marquês de Abrantes e Vila Saem.
O Conselho Nacional de Direitos Humanos veio a Maceió depois de uma denúncia feita pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da OAB Alagoas junto de várias entidades e movimentos sociais do estado ligados à situação dos moradores dos bairros atingidos.
O presidente da OAB/Alagoas, Vagner Paes, destacou a importância de acolher as vítimas, apontando o trabalho que será feito a partir do relatório produzido a partir das visitas. “O relatório contribuirá trazendo soluções concretas. Ainda terá que passar pelo Conselho Pleno, mas o documento já traz luz sobre a situação, sobre a importância de ouvir essas pessoas, de ter um olhar mais atento, humano, ao sofrimento dessas vítimas. Dissociado de qualquer viés político. A população vem sofrendo ao longo dos últimos anos e agora também passa por mais uma violação do direito à informação”, disse ele.
Durante a reunião, o presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Roberto Moura, pontuou que o relatório visa trazer mais transparência ao caso. “Dentre outros elementos, a Comissão trata, principalmente, da necessidade de obtenção de informações seguras e transparentes. Vivemos um crime ambiental sem parâmetros. Precisamos estabelecer medidas efetivas e firmes, e o acompanhamento sistemático dos atingidos. Precisamos dar assistência humanizada a toda a população afetada”, explicou.
Já Ana Carolina Barchet, Conselheira Federal e Presidente da Comissão Nacional de Direito Ambiental, ressaltou o trabalho da Ordem diante dessa tragédia. “O que identificamos aqui foi um crime ambiental continuado, praticado pela Braskem. Quem fica no centro do sofrimento são a população de Maceió e o meio ambiente. A nossa ideia foi fazer um levantamento do que fosse possível, durante esses três dias, para que fosse sugerido ao Conselho Federal da OAB, a adoção de medidas que possam estancar ou minimizar o sofrimento dessa população. Nesse sentido, uma das situações que identificamos foi a possibilidade da OAB, que é um órgão independente, atuar como uma mediadora, tentando chegar a um consenso em comum dessa reparação”, pontuou ela.
Últimas notícias
Inmet emite três alertas de baixa umidade para diversos municípios de Alagoas
Foragido da Justiça de Sergipe por sequestro e cárcere é preso em Maceió
Mulher é presa por tráfico de drogas em ponto de vans no Centro de Arapiraca
Hemoal levará equipe itinerante para coletar sangue em Coruripe nesta quinta (5)
Prefeitura de Maceió leva iluminação azul a viadutos e à Avenida Sílvio Vianna
Justiça concede liberdade provisória a suspeito de matar mulher a facadas em Penedo
Vídeos e noticias mais lidas
Governo de Alagoas inicia cobrança pelo uso de água de rios e poços no estado
Táxi de Arapiraca fica submerso após avanço da correnteza na Praia do Peba
[Vídeo] Polícia Civil divulga imagens da perseguição ao Guarda Municipal morto em Teotônio Vilela
Morador de Arapiraca está no interior de SP e quer voltar para Alagoas
