MPAL denuncia 'serial killer de Alagoas' pela morte de jovem trans em Maceió
Em 2023, Louise Gbyson foi perseguida ao voltar da escola e morta a tiros
Albino Santos de Lima, conhecido como “o serial killer de Alagoas” pela sequência de homicídios praticados no bairro do Vergel do Lago, em Maceió, foi denunciado novamente pelo Ministério Público de Alagoas (MPAL). Dessa vez, pelo feminicídio da jovem trans, Louise Gbyson Vieira de Melo.
Ele foi denunciado pelo crime de feminicídio por motivo torpe, com o réu agindo com emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. No dia 11 de dezembro de 2023, a jovem, de 18 anos, foi perseguida ao voltar da escola e morta a tiros.
O promotor de Justiça Antônio Vilas Boas ressalta que o réu possuía o sentimento de agir com justiçamento ao escolher suas vítimas, sempre mulheres, por repulsa ao sexo feminino.
“(...) A arma do crime foi a mesma utilizada pelo réu contra outras jovens na mesma região. Não há quaisquer dúvidas sobre mais uma violência por ele cometida, com fim morte, de que estamos diante de um homicídio qualificado , de mais um crime hediondo e ele deve ir à juri popular e responder pelos seus atos”.
O serial killer tem sido denunciado separadamente pelos crimes. Por exemplo, ele será levado a júri popular pela morte do barbeiro Emerson Wagner da Silva e por tentar matar um amigo dele, de acordo com a decisão do juiz José Eduardo Nobre Carlos, titular da 8ª Vara Criminal da Capital. Segundo as investigações da Policia Civil, ele perseguia a namorada do barbeiro.
O crime
Era por volta das 21h45 , do dia 11 de dezembro de 2023, quando Louise retornava, a pé, da escola para casa. Desconfiada de que estava sendo perseguida por um carro, pedira ajuda a uma amiga que a acompanhou até em casa.
Em determinado momento, ambas perceberam que o veículo não estava mais na rua e deduziram que havia ido embora, no entanto Louise foi surpreendida Albino que deflagrou vários tiros contra a sua cabeça sem a menor chance para se defender. As amigas da vítima relataram que avistaram o assassino, era um homem vestindo preto e de estatura mediana.
Após exames balísticos, a Polícia Científica comprovou que os projéteis retirados do corpo de Louise Gbyson tinham sido deflagrados da pistola de calibre 380 pertencente ao pai do criminoso, um policial militar da reserva, a mesma arma utilizada pelo denunciado em outros crimes.
Modus operandi
De acordo com a promotoria, ele pesquisava por meses os perfis nas redes sociais, calculava minunciosamente o crime, separando fotografias, depois perseguia cada uma e executava.
Albino Santos de Lima tinha inclusive uma identificação para as vítimas “odiadas do Instagram” ou “mortes especiais” circulando no calendário a data do fato. Já para as demais, que pensava em colocar na lista criminosa, tinha uma pasta exclusiva nomeada com a palavra “investigar”.
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