Caso Kleber Malaquias: acusação começa os debates e cita participação de delegado que forjou provas
Durante o julgamento, a doutora Lídia Malta apresentou uma conversa entre o delegado e Eudson Matos, acusado de ser o mandante da morte da vítima
A Justiça de Alagoas deu continuidade ao julgamento do caso Kleber Malaquias nesta terça-feira (18) com a fase dos debates, que é o momento do processo penal em que a acusação e a defesa apresentam suas teses e provas no Tribunal do Júri.
A primeira a falar foi a doutora Lídia Malta, promotora de Justiça que ficou na área de acusação. Ela citou a participação do delegado da Polícia Civil que era responsável pelo inquérito e que foi preso após ter forjado provas, bem como apresentou uma conversa entre esse delegado e Eudson Matos, acusado de ser o mandante do assassinado de Malaquias.
"Esse pseudo-delegado tem que ser expulso da Polícia Civil, ele tem que ser expulso. Só faltou, diante das provas, ele sair aqui para ali", disse a promotora, apontando para a cadeira das testemunhas e para o banco dos réus.
Na conversa que a doutora apresentou ao Júri, há registros do delegado passando informações sobre o inquérito para Eudson Matos.
Durante o julgamento, a promotora também falou detalhadamente o modus operandi do crime e destacou a importância de provas técnicas para condenar os falsos policiais.
"Ninguém vai apontar mandante por ouvir dizer, por achismos, mas com provas técnicas. Precisamos primeiro condenar esse escalão daqui, para depois elevar o nível. Quem veste uma farda e mata são criminosos travesseiros de policia. Em Alagoas já tivemos o sindicato do crime, a gangue fardada, o crime de pistolagem, é agora temos o que aqui?", refletiu ela.
Após sua fala, a promotora mostrou fotos de Kleber Malaquias com os filhos e relatou que a mãe deles teve que se mudar de estado. "A quem ele dedicava amor e carinho", afirmou Lídia Malta, no mesmo momento que exibia as imagens ao Júri.
"Este crime nada mais é do que o silenciando da sociedade. Não se comovam com lagrimas de crocodilos que qualquer um derramar aqui. Esses réus são farsantes, na letra pura da lei, usaram nomes de terceiros", disse a promotora.
A promotora conclui dizendo que não há dúvidas da culpabilidade dos réus. "As únicas provas que levantaram dúvidas foram as plantadas. Espero que os senhores jurados não ignorem o trabalho árduo do Ministério Público, do delegado Lucimério, da Polícia Federal para provar o que de fato ocorreu em relação à esse crime. Hoje precisamos que o primeiro escalão seja derrubado".
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