Estudo identifica padrões meteorológicos e investiga impactos de desastres naturais em Alagoas
Pesquisa é financiando pela Fapeal e está sendo conduzida por Micajena Costa
Um estudo, realizado pela pós-graduanda Micejane Costa e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal), tem investigado os impactos dos desastres naturais em Alagoas e identificado padrões meteorológicos, focando nos eventos classificados como Situação de Emergência (SE) e Estado de Calamidade Pública (ECP).
O trabalho tem como título 'Os impactos dos desastres naturais em Alagoas provocados por sistemas atmosféricos' e é coordenado pelo professor José Francisco de Oliveira.
A pesquisadora cita que, de acordo com a base internacional The International Disaster Database (EM-DAT), para que um evento seja considerado um desastre natural, ele deve atender a pelo menos um dos seguintes critérios: resultar em dez ou mais mortes, afetar cem ou mais pessoas, levar à declaração de situação de emergência ou ser classificado como estado de calamidade pública.
Segundo Micejane Costa, é importante diferenciar desastres naturais de eventos extremos, já que nem todo fenômeno climático intenso pode ser classificado como desastre.
“Eventos extremos são fenômenos meteorológicos de curta duração e alta intensidade, como chuvas torrenciais ou ventanias intensas, que podem ou não causar danos significativos. Já os desastres naturais ocorrem quando esses fenômenos resultam em impactos severos à sociedade, levando à decretação de situação de emergência ou calamidade pública”, explicou a pesquisadora.
“Nosso projeto surgiu justamente da necessidade de preencher uma lacuna científica sobre os eventos extremos em Alagoas. Até então, não existia um estudo detalhado que identificasse quais sistemas atmosféricos influenciam diretamente os desastres naturais na região”, abordou a doutora em ciências climáticas.
Com o andamento das análises, o trabalho revelou que os principais desastres naturais em recorrência no estado são: a seca, a estiagem e as enxurradas, com a maior incidência de eventos registrados na região do Sertão, devido à escassez hídrica. O trabalho apontou também que, sistemas atmosféricos, como os Vórtices Ciclônicos de Altos Níveis (VCAN) e os Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL), têm papel central na ocorrência desses fenômenos.
Desafios e avanços da pesquisa
Um dos principais desafios enfrentados pela estudiosa foi a coleta e análise de dados meteorológicos. “A deficiência nos registros históricos foi um grande obstáculo. Muitos dados disponíveis apresentavam falhas e inconsistências, o que exigiu um rigoroso tratamento estatístico para validação”, comenta a pesquisadora. Para superar essa dificuldade, foram utilizados modelos meteorológicos e imagens de satélite, além de técnicas estatísticas para preenchimento de lacunas nos dados.
Mas a relevância do trabalho não fica apenas no pioneirismo dos dados, ela se reflete também na produção acadêmica. O estudo já resultou na publicação de um artigo no International Journal of Climatology e na submissão de outros três.
“O estudo se destaca por várias razões e achados científicos, por isso ele fornece subsídios para a formulação de políticas públicas eficazes”, destaca José Francisco de Oliveira, orientador da pesquisa e doutor em ciências atmosféricas.
Como aponta o coordenador, os resultados obtidos indicam direções estratégicas para a mitigação dos impactos dos desastres naturais em Alagoas. Dentre as principais medidas sugeridas pelo estudo se encontra a criação de um sistema de monitoramento contínuo com o uso de radares meteorológicos e modelos preditivos, permitindo a emissão de alertas precoces.
Além disso, há a necessidade de investimentos em infraestrutura hídrica, com a construção de reservatórios e sistemas de captação de água da chuva para garantir segurança em períodos de estiagem prolongada.
Outros pontos abordados na pesquisa são a modernização das redes de drenagem urbana em áreas suscetíveis a enxurradas, como o Agreste e a região Leste do estado. Mas também melhorias estruturais nas áreas poderiam minimizar alagamentos e proteger vidas e patrimônios.
A pesquisadora conclui ainda frisando que nada disso é importante, se não vier acompanhado por ações de sensibilização e conscientização da população, como campanhas educativas e treinamentos comunitários sobre prevenção e respostas a desastres naturais.
O papel da Fapeal na viabilização da pesquisa
A pesquisa de Micejane Costa e seu orientador só foram possíveis graças ao suporte financeiro oferecido pelo Programa de Apoio à Fixação de Jovens Doutores no Brasil, uma parceria entre a Fapeal e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
A bolsa permitiu dedicação exclusiva ao projeto, enquanto os recursos financeiros (auxílio) possibilitaram a aquisição de equipamentos essenciais para a análise dos dados. De acordo com José Francisco de Oliveira, esse fomento foi determinante para o sucesso do trabalho.
“O investimento em pesquisa científica é fundamental para o desenvolvimento do estado. Projetos como esse reforçam a importância da Fapeal no incentivo à produção de conhecimento aplicado, beneficiando diretamente a sociedade”, ressalta o professor.
Com o encerramento da bolsa, Micejane Costa busca dar continuidade aos estudos e expandir as aplicações dos resultados. O seu objetivo é estabelecer parcerias com órgãos públicos e instituições de ensino para ampliar o impacto da pesquisa, garantindo que os dados e análises possam subsidiar ações concretas de mitigação de desastres naturais em Alagoas.
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