Agronegócio segue com Bolsonaro apesar de tarifa dos EUA: “Liberdade vale mais que lucro”
Tarifa anunciada pelo governo norte-americano atinge aproximadamente 82% das exportações agrícolas brasileiras destinadas aos EUA
Mesmo diante da taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos do agronegócio brasileiro, o setor rural segue majoritariamente alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A afirmação é do deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS), produtor rural e presidente da Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara. Segundo ele, “o agro está cada vez mais unido em torno do nosso presidente Bolsonaro” e, ainda que haja prejuízos com a medida, a liberdade “vale mais que o lucro”.
A tarifa anunciada pelo governo norte-americano atinge aproximadamente 82% das exportações agrícolas brasileiras destinadas aos EUA , enquanto outros setores da economia brasileira escaparam da medida. Para Nogueira, no entanto, o problema não está nas exportações em si, mas no ambiente político e institucional do país.
“O setor vive uma crise interna desde que o Lula assumiu. Alguns setores do governo se colocaram como inimigos do homem do campo. Não adianta o Brasil produzir se o produtor não tem segurança jurídica nem paz para trabalhar”, afirmou o deputado.
Tarifa como instrumento político
Questionado sobre o impacto direto da taxação sobre o setor, especialmente no caso de produtos como carne — que terá 50% de sobretaxa — o parlamentar minimizou os prejuízos. Para ele, a medida dos Estados Unidos estaria inserida em um contexto político, em reação à situação jurídica de Bolsonaro.
“Se tivermos algumas perdas, vamos sofrer, mas estamos dispostos a isso. Do que adianta exportar e perder a liberdade? A tarifação é uma forma de pressão para que o Supremo e o Congresso recuem nas condenações. Trump adiou o início da taxação por seis dias, e vejo isso como uma janela de negociação”, disse.
Nogueira também afirmou que o Congresso poderia atuar para aprovar o projeto da anistia que beneficiaria o ex-presidente. Segundo ele, nomes como Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) “têm a chance de sair como heróis não só do agro, mas da economia”.]
Críticas ao governo Lula e ao Supremo
Em entrevista, o deputado direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, responsabilizando-o pela deterioração das relações diplomáticas com os EUA. Ele citou episódios como a aproximação com o Irã, críticas a Israel e declarações sobre a substituição do dólar como fatores que teriam contribuído para o desgaste com o governo norte-americano.
“Estamos colhendo o que esse anão diplomático plantou”, disparou, em referência a Lula.
Questionado sobre o envolvimento do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) na crise diplomática com os EUA, Nogueira defendeu o filho do ex-presidente, afirmando que ele está apenas “defendendo sua família e a liberdade”.
“Imputar a ele a culpa do tarifaço é uma insanidade. O Eduardo está indo contra essa perseguição implacável à direita brasileira”, afirmou.
O parlamentar também comentou o clima no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando haver uma divisão interna entre os ministros e mencionando um “racha” evidenciado pela ausência de parte dos magistrados em um jantar promovido por Lula.
Críticas ao Ministério da Agricultura
O deputado criticou a postura do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, durante o processo de imposição da tarifa pelos EUA, afirmando que faltou protagonismo do governo na defesa do setor:
“Há uma inércia do Ministério da Agricultura. O ministro está devendo uma posição firme em defesa de quem alimenta o Brasil”, declarou.
Setor segue apoiando Bolsonaro
Apesar do impacto direto da medida americana sobre os produtores rurais, Nogueira acredita que o apoio do agronegócio a Bolsonaro não será abalado nas eleições de 2026. Ele citou vídeos e manifestações públicas recentes de produtores em defesa do ex-presidente e reforçou que a pauta da anistia e da “liberdade política” seguirá mobilizando o setor.
“Sou produtor rural e converso com agricultores do Brasil inteiro. A cada dia, o apoio a Bolsonaro cresce. O agro segue firme ao lado dele”, concluiu.
*Estagiário sob supervisão
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