Vítimas atribuem esvaziamento do Núcleo de Proteção aos ‘tentáculos da Braskem’
Com a exoneração de Ricardo Melro, moradores das regiões afetadas pelo afundamento do solo temem retrocesso
O Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB) publicou um vídeo, em seu perfil no Instagram, lamentando o esvaziamento do Núcleo de Proteção Coletiva que atuava na Defensoria Pública em favor dos moradores atingidos pelo afundamento do solo.
Maurício Sarmento, representante da MUVB, atribuiu à Braskem a exoneração de Ricardo Melro e o afastamento dos defensores Lucas Monteiro Valença, Marcelo Barbosa Arantes e Daniel Coêlho Alcoforado.
“Recentemente, em uma reunião com um amigo influente no governo do estado, esse me dizia informalmente que os tentáculos da Braskem são enormes e nós, vítimas, não saberíamos dimensionar. Eu acredito nele”, disse.
Na legenda do vídeo, o representante das vítimas do crime ambiental revelou a surpresa com a exoneração de Melro e a proximidade do ato com a Audiência Pública onde um relatório técnico-científico inédito apresentaria os impactos da subsidência causada pela mineradora.
“Fomos surpreendidos com a exoneração do Defensor Público Estadual Dr. Ricardo Melro, justamente no momento em que ele se preparava para apresentar à sociedade alagoana um relatório técnico-científico inédito sobre os impactos da subsidência causada pela Braskem em Maceió, elaborado por cientistas nacionais e internacionais”, diz a legenda.
Sarmento afirma que as vítimas não se calarão diante da intimidação e tentativa de censura.
“Sua exoneração [de Ricardo Melro], nesse contexto, não parece coincidência. É um grave sinal de tentativa de intimidação e censura contra quem busca a verdade e a justiça. Não aceitaremos calados! A luta das vítimas da Braskem continua, e exigimos respeito aos defensores públicos que cumprem seu papel constitucional de proteger os direitos coletivos” afirmou.
Ricardo Melro liderava o núcleo há mais de um ano e tinha mandato previsto até julho de 2026. O novo coordenador será Othoniel Pinheiro Neto. A medida foi assinada pelo defensor público-geral Fabrício Leão Souto.
Embora as portarias não especifiquem o motivo, informações de bastidores indicam divergências na gestão e na exposição das atividades do núcleo sem o consentimento da atual direção da Defensoria.
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