EUA ameaça novas sanções contra brasileiros ligados ao Mais Médicos
Dois funcionários brasileiros ligados à implementação do Mais Médicos tiveram vistos cancelados pelo governo dos EUA
O governo dos Estados Unidos prometeu novas sanções contra autoridades envolvidas no programa Mais Médicos, classificado pela administração de Donald Trump como um “esquema coercitivo de exportação de mão de obra”. A declaração foi divulgada pelo Gabinete para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, nesta quinta-feira (14), e republicada pela embaixada norte-americana no Brasil.
Na mensagem em tom de ameaça, a diplomacia dos EUA voltou a acusar o Brasil e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) de utilizar o programa para driblar o embargo econômico norte-americano contra Cuba.
“O programa Mais Médicos do Brasil foi um golpe diplomático que explorou médicos cubanos, enriqueceu o regime cubano corrupto e foi acobertado por autoridades brasileiras e ex-funcionários da OPAS”, diz a mensagem compartilhada pela embaixada dos EUA no Brasil. “Não restam dúvidas: os EUA continuarão responsabilizando todos os indivíduos ligados a esse esquema coercitivo de exportação de mão de obra”, ameaçou.
Revogação de vistos
Nessa quarta-feira (13), Mozart Julio Tabosa Sales e Alberto Kleiman tiveram seus vistos norte-americanos cancelados, por terem atuado no Ministério da Saúde durante a implantação do Mais Médicos no Brasil.
Mesmo que tenha suprido a escassez de médicos em regiões remotas do país, os EUA afirmam, sem provas concretas, que o Mais Médicos beneficiou o regime cubano, por meio de supostos desvios de salários dos profissionais de saúde.
A irregularidade teria acontecido no processo de pagamento dos médicos, que não recebiam diretamente do governo brasileiro. Os salários eram enviados pelo Brasil à OPAS, que então repassava as quantias à Cuba.
Segundo denúncias de alguns profissionais que integraram o programa, parte dos salários ficava com o governo cubano, o que estava previsto nos contratos.
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