Alimentos caem pelo quarto mês seguido, mas inflação volta a subir em setembro, com salto na conta de luz
Índice sobe 0,48%, após recuo em agosto. Tarifa de energia residencial salta 10,31%, com fim do bônus de Itaipu e permanência da bandeira vermelha 2.
O Índice de Preços ao Consumido Amplo (IPCA), que mensura a inflação no país, voltou a subir no último mês. O indicador havia recuado 0,11% em agosto e ficou em 0,48% em setembro, com a disparada na conta de luz, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE. O número veio abaixo da expectativa de analistas de mercado, que projetavam 0,52%.
No ano, a inflação acumula alta de 3,64% e, nos últimos 12 meses, o índice ficou em 5,17%. Em setembro de 2024, a variação havia sido de 0,44%.
A principal influência sobre o indicador veio da tarifa elétrica residencial, que saltou 10,31%. Em agosto, ela havia apresentado retração de 4,21% devido ao bônus de Itaipu. Esse bônus se traduz em descontos na conta de luz, mas esses descontos foram concentrados em um único mês.
Além do fim do bônus, permaneceu em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 2 em setembro, que adiciona R$ 7,87 à conta e luz a cada 100 Kwh consumidos.
No ano, a energia elétrica residencial acumula uma alta de 16,42%. É o principal impacto individual no indicador. De acordo com Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa, o IPCA teria ficado com uma leve alta de 0,08% no mês de setembro, se não fosse a expansão intensa no preço da conta de luz no mês.
Com a alta de energia, o grupo Habitação subiu 2,97%, maior variação desde fevereiro. Se considerados apenas os meses de setembro, foi a maior alta desde 1995 (4,51%).
Alimentação e bebidas, por outro lado, continuam a cair, evitando que a inflação suba ainda mais. O grupo recuou 0,26%, a quarta baixa seguida, acumulando 1,17% de queda. No entanto, as variações negativas ainda não foram suficientes para eliminar os meses de setembro de 2024 a maio de 2025, que acumularam alta de 8,4%.
O recuo dos alimentos em setembro é puxado principalmente pela alimentação em domicílio, que vem caindo com os preços menores de legumes e cereais.
Segundo Gonçalves, o que explica a queda nos preços da alimentação é uma oferta maior de alimentos in natura. Ele cita o exemplo do grupo de tubérculos, raízes e legumes, que vem apresentando algumas das quedas mais expressivas.
— Tem o tomate, que caiu 11%. No sal e condimentos tem o alho, que também caiu, 8,70%. O arroz, nos cereais leguminosas, também permanece no campo negativo, em uma sequência já de alguns meses com variações negativas, assim como batata e cebola — menciona.
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