Tragédia na Serra da Barriga completa um ano; famílias aguardam reparação e medidas para aumentar a segurança
Grave acidente marcou o estado e mobilizou uma das maiores operações de resgate já registradas na região
Nesta segunda-feira (24), completa um ano do acidente trágico envolvendo um ônibus que deixou 20 pessoas mortas na Serra da Barriga, no município de União dos Palmares, Zona da Mata de Alagoas. Cerca de 48 passageiros participavam do projeto cultural “Pôr do Sol na Serra” quando o veículo despencou de uma ribanceira de mais de 100 metros, em 24 de novembro de 2024. A tragédia marcou o estado e mobilizou uma das maiores operações de resgate já registradas na região.
Logo após o desastre, equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Corpo de Bombeiros, programa Salva Mais, Departamento Estadual de Aviação e profissionais de saúde foram deslocadas para o local. Dezesseis vítimas morreram ainda na área do acidente; uma gestante faleceu após ser levada ao Hospital Regional da Mata (HRM), e outra pessoa não resistiu aos ferimentos em Maceió, totalizando 20 óbitos. Entre as vítimas estavam o motorista do ônibus, Luciano de Queiroz Araújo, uma menina de 5 anos e adultos de diversas idades.
As unidades hospitalares do estado receberam, ao todo, 32 feridos, 21 foram encaminhados ao HRM e 11 ao Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió. A dimensão da tragédia levou o governo estadual a decretar três dias de luto oficial.
Ônibus removido após sete meses e perícia concluída

A perícia mecânica só pôde ser realizada após a remoção do ônibus, iniciada em 25 de junho deste ano e concluída em 5 de julho, após uma operação complexa conduzida pelo Corpo de Bombeiros, polícias Civil e Científica e uma empresa especializada. Devido ao terreno íngreme, o veículo precisou ser dividido em duas partes para ser içado.
No pátio da Polícia Civil, em Rio Largo, os peritos criminais Marcelo Velez e Nivaldo Cantuária desmontaram e analisaram os sistemas de freios, direção, suspensão e transmissão. O laudo final descartou falha mecânica e também afastou qualquer causa relacionada à pista ou ao ambiente.
Erro de condução foi apontado como causa provável
Com a exclusão das causas técnicas e ambientais, a investigação passou a apontar erro humano como a causa mais provável do acidente. Segundo o delegado Guilherme Iusten, o caso se enquadra como homicídio culposo por imperícia ou imprudência do motorista. Como o condutor morreu no acidente, o processo criminal é extinto, restando às famílias buscar indenizações na esfera civil.
Memória e dor
A tragédia, ocorrida em uma área de forte simbolismo histórico, segue como uma das mais graves já registradas em Alagoas. Um ano depois, familiares e sobreviventes ainda lidam com as marcas do episódio, enquanto aguardam reparação e medidas que aumentem a segurança no acesso à Serra da Barriga.
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