Polícia

Mandante acordou R$ 10 mil por morte de surpervidor do CRB; polícia apura ligação com grupo de extermínio

Plano para matar Joba já vinha sendo arquitetado desde dezembro do ano passado

Por Wanessa Santos 26/01/2026 10h10 - Atualizado em 26/01/2026 12h12
Mandante acordou R$ 10 mil por morte de surpervidor do CRB; polícia apura ligação com grupo de extermínio
O caso é tratado como praticamente elucidado, restando a localização do mandante - Foto: Reprodução/Vídeo

A Polícia Civil de Alagoas detalhou, na manhã desta segunda-feira (26), novos pontos da investigação sobre o assassinato de Johanisson Lima, conhecido como Joba, funcionário do CRB morto a tiros na última sexta-feira (23), no bairro Santa Lúcia, parte alta de Maceió.

Em coletiva, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) informou que o crime teria sido encomendado por R$ 10 mil, com suspeita de participação de criminosos ligados a um possível grupo de extermínio do interior do estado, além de confirmar que a motivação não tem relação com briga de torcidas, mas com uma questão pessoal envolvendo o mandante e a ex-companheira de Johanisson.

Segundo a coordenadora da DHPP, delegada Tacyane Ribeiro, o plano para matar Joba já vinha sendo arquitetado desde dezembro do ano passado. A investigação aponta que R$ 4 mil foram pagos na terça-feira anterior ao homicídio, como parte do valor combinado.

A investigação aponta que Joba tentou reatar o relacionamento com a ex-companheira, Letícia, e isso teria motivado o crime. Segundo a polícia, Letícia foi ouvida ainda na sexta-feira e informou que a vítima não vinha sofrendo ameaças.

A DHPP relatou que Letícia teve um envolvimento de aproximadamente dois meses com Ruan, período em que estava separada de Joba. O mandante, segundo a polícia, era casado e teria mentido sobre a própria vida, o que levou Letícia a encerrar o relacionamento. Com a tentativa de reconciliação entre ela e Joba, Ruan teria se incomodado e, então, encomendado o homicídio.

Outro ponto destacado na coletiva foi que, com exceção do suspeito preso ontem, os demais envolvidos seriam do interior de Alagoas, e não de Maceió. A DHPP apura se eles têm ligação com um grupo de extermínio de Atalaia, conhecido por atuar como “matadores de aluguel”. As armas apreendidas com os suspeitos serão periciadas para verificar se foram utilizadas em outros crimes no estado.

A polícia explicou que imagens de câmeras de monitoramento foram coletadas nas imediações do local do crime e ajudaram a reconstruir a dinâmica da execução. O atirador teria chegado de bicicleta, mas logo depois contou com o apoio de outro envolvido, que deu fuga ao suspeito em uma motocicleta.

O motociclista, identificado como Simeone, foi localizado e preso em flagrante nesse domingo (25). De acordo com a DHPP, ele já responde por um homicídio cometido em 2014 e estava, atualmente, em regime semiaberto. A partir da prisão dele, os investigadores conseguiram avançar na identificação dos demais envolvidos.

Ainda conforme a polícia, além do executor, havia dois “ponteiros”, que estariam observando a rotina da vítima e repassando informações para o grupo.

Confronto terminou com três suspeitos mortos


A DHPP informou que, após a prisão do motociclista, a polícia conseguiu localizar os outros três envolvidos no caso no domingo (25): o atirador e os dois ponteiros. Durante a abordagem, houve confronto e os três foram atingidos, socorridos ao hospital, mas não resistiram.

A polícia acredita que, além dos três mortos, do motociclista preso e do mandante, não há outros participantes diretamente envolvidos na execução.

O mandante foi identificado como Ruan e segue foragido.

A polícia pede que a população auxilie na localização do suspeito, com informações repassadas de forma anônima através do Disque Denúncia 181.

A Polícia Civil informou ainda que Ruan reside em Rio Largo e teria conhecido Letícia no ambiente de trabalho, em uma empresa do ramo de açaí. Até o momento, segundo a polícia, ele não possui passagem criminal.

O caso é tratado como praticamente elucidado, restando a localização do mandante para conclusão do inquérito.