MPF e DPU são contra acordo entre Estado e Braskem e exigem novo complexo de saúde mental
Instituições afirmam que substituição da obra do Hospital Portugal Ramalho por indenização viola coisa julgada e agrava situação da assistência em Alagoas
O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) informaram na tarde desta quarta-feira (4) que manifestaram-se à Justiça Federal pelo não conhecimento e rejeição do “Acordo Global” firmado entre o Estado de Alagoas e a Braskem, na parte em que substitui a obrigação de reconstruir o Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR), em Maceió, por um pagamento em dinheiro.
Para as instituições, a tentativa de trocar a obra por uma indenização de R$ 110,5 milhões viola a coisa julgada, afronta a boa-fé objetiva e compromete a continuidade do serviço público essencial de saúde mental.
A manifestação foi protocolada em 23 de janeiro, no âmbito do cumprimento de sentença da Ação Civil Pública que trata da reconstrução do hospital.
Manutenção da obrigação de fazer
Na petição, a procuradora da República, Niedja Kaspary e o defensor regional dos direitos humanos Diego Alves pedem que a Justiça determine o prosseguimento do cumprimento de sentença, com a prática dos atos executórios necessários para garantir a execução imediata da obrigação de fazer assumida no acordo, nos termos originalmente pactuados e homologados.
O acordo judicial anterior estabeleceu que a Braskem deveria custear a desapropriação do novo terreno e entregar o novo Complexo de Saúde Mental pronto, equipado e em funcionamento, em área segura e com a mesma capacidade assistencial do hospital anterior.
Depósito imediato e retomada das providências
Além da rejeição do acordo, o MPF e a DPU requerem:
. A intimação da Braskem para que, no prazo improrrogável de 72 horas, deposite judicialmente R$ 27,8 milhões, destinados ao ressarcimento da desapropriação do terreno;
. A comprovação, em até 15 dias, do início do procedimento de contratação da empresa responsável pela execução da obra, conforme o cronograma homologado;
. O indeferimento de qualquer pedido de prorrogação de prazo formulado pela empresa;
. A intimação imediata do Estado de Alagoas para que publique novo decreto de utilidade pública do imóvel necessário à reconstrução do hospital.
As instituições também pedem o bloqueio dos recursos a serem repassados pela Braskem ao Estado, para que sejam depositados em conta específica e só possam ser movimentados mediante autorização judicial, com destinação exclusiva à obra.
Multas e penalidades
Diante do descumprimento do acordo e da tentativa de afastar uma obrigação consolidada em decisão transitada em julgado, o MPF e a DPU requerem:
. A imposição de multa diária à Braskem pelo inadimplemento da obrigação de pagar e de fazer;
. A aplicação de multa ao Estado de Alagoas pelo descumprimento do cronograma homologado;
. O reconhecimento de ato atentatório à dignidade da Justiça, com aplicação das penalidades previstas no Código de Processo Civil.
Indenização apenas como medida subsidiária
De forma subsidiária, caso o juízo entenda de modo diverso, as instituições requerem que o valor referente à construção do hospital, seja atualizado monetariamente desde a celebração do acordo.
Direito indisponível
Para o MPF e a DPU, a tentativa de substituir a obra por indenização em dinheiro desconsidera que se trata de direito fundamental indisponível. “Não se pode converter uma obrigação judicial definitiva em um acordo privado que compromete a continuidade do serviço público de saúde mental”, destacam.

Veja também
Últimas notícias
Real Madrid operou Mbappé errado? Entenda meme que viralizou nas redes
Filiação de Gaspar ao PL confirma plano vazado em anotações de Flávio Bolsonaro
Renan Filho deixa governo Lula com o trunfo de ter evitado a greve nacional dos caminhoneiros
Vereador de Arapiraca pode perder mandato por excesso de faltas; MP pede posse de suplente
Vereador cobra pagamentos de emendas a instituições de acolhimento de idosos em Maceió
Incêndio de grandes proporções atinge imóvel em São José da Laje
Vídeos e noticias mais lidas
Mistério em Arapiraca: saiba quem era o empresário morto a tiros em condomínio
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Cunhado de vereador é encontrado morto a tiros dentro de condomínio em Arapiraca
Subcomandante de unidade da PM de AL é denunciado por agredir a esposa, também policial militar
