[Vídeo] MST ocupa Centro de Maceió contra reintegrações de posse
Cerca de mil trabalhadores rurais ocupam áreas em frente ao Palácio República dos Palmares e à sede do Incra
Cerca de mil integrantes de cinco movimentos sociais ligados à luta pela reforma agrária montaram, nesta terça-feira (7), dois acampamentos no Centro de Maceió. As mobilizações foram instaladas em frente ao Palácio República dos Palmares, sede do Governo de Alagoas, e à Superintendência do Incra, como forma de pressionar as autoridades por uma solução para a situação das áreas das antigas usinas Laginha e Guaxuma.
O protesto reúne representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Frente Nacional de Luta (FNL), Movimento de Luta pela Terra (MTL), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Via do Trabalho. Os grupos afirmam que aproximadamente 5 mil famílias correm o risco de serem despejadas caso sejam cumpridas decisões de reintegração de posse.
Em entrevista ao 7Segundos, a representante do MST, Margarida Maria afirmou que a mobilização busca sensibilizar os governos estadual e federal para a construção de uma solução definitiva para o conflito fundiário. "Hoje não está só o MST. São cinco movimentos que lutam pela terra e pela reforma agrária em Alagoas. Cerca de 5 mil famílias estão sob ameaça de reintegração de posse nessas áreas das antigas usinas Laginha e Guaxuma", disse.
De acordo com Margarida Maria, as famílias ocupam os imóveis há quase 14 anos e, nesse período, consolidaram a produção agrícola e estabeleceram vínculos permanentes com as comunidades. "Há quase 14 anos essas famílias produzem alimentos, geram emprego e renda no campo e abastecem a cidade. Muitas crianças nasceram durante esse período, cresceram nessas comunidades e hoje já são adolescentes. Há também idosos que vivem nessas áreas e não têm para onde ir", disse.


Reunião
Os manifestantes aguardam uma resposta do governador Paulo Dantas após reuniões realizadas com integrantes do Gabinete Civil e secretários estaduais. A principal reivindicação é a realização de uma mesa de negociação envolvendo o Governo de Alagoas, o Governo Federal, o Incra, o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Tribunal de Justiça e representantes dos herdeiros do antigo Grupo João Lyra.
Segundo Margarida Maria, o objetivo é construir uma alternativa que permita o assentamento definitivo das famílias e evite o cumprimento das ordens de despejo. "Esperamos que o Governo do Estado e o Governo Federal busquem uma alternativa emergencial para assentar essas famílias e resolver um problema que se arrasta há quase 14 anos."
Os acampamentos permanecerão montados em Maceió até que haja uma resposta concreta das autoridades. Entre as exigências estão a suspensão das reintegrações de posse e a abertura de uma mesa de negociação entre os envolvidos. "Nossa decisão é permanecer em Maceió enquanto não houver uma resolução, seja pela suspensão das reintegrações de posse ou pela realização dessa audiência. Se voltarmos agora para as áreas, esse povo poderá ser despejado sem que uma solução tenha sido construída", finalizou a representante do MST.
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