Morte de ancião de 105 anos traz à tona problema de superlotação de cemitérios
Os quatro cemitérios do município estão superlotados
José Justino do Nascimento, 105 anos, 11 filhos, 45 netos e 47 bisnetos: uma longa história de vida em Maragogi que chegou ao fim na noite desta quinta-feira (16) e que nesta sexta-feira (17) teve desdobramentos. Um dos desejos do agricultor era ser sepultado na cidade em que viveu, mas os quatro cemitérios estão superlotados. O fato deixou os familiares e amigos revoltados com a situação.
Seu Moca, como o agricultor da fazenda Cachoeira I era conhecido, era uma pessoa bastante conhecida no município e terá que ser enterrado no Cemitério Municipal de Japaratinga, às 15h da tarde de hoje. A situação gerou revolta ao familiares
Mesmo com idade avançada, até recentemente José Justino costumava ir para a roça trabalhar na agricultura familiar. Os parentes disseram que ele fazia questão e tinha energia para trabalhar diariamente, mas nos últimos tempos, começou a ter problemas na visão e passou a ficar mais tempo dentro de casa. Ontem veio a notícia do falecimento, a morte se deu em razão de causas naturais.
A esposa enlutada, Maria José da Conceição, de 80 anos, além de entristecida com a morte do marido, não se conforma com o fato de ter que sepultar o esposo longe de casa. Os amigos de Seu Moca também estão revoltados com a situação. A superlotação dos cemitérios é um problema antigo em Maragogi e o drama se repete sempre que alguém morre. Parentes precisam sepultar os entes queridos em Japaratinga, Porto Calvo, ou até em cidades do estado vizinho, em São José da Coroa Grande (PE) ou Barreiros (PE).
Os quatros cemitérios de Maragogi são: o Santo Antônio, na região do Centro; o João Lira, no povoado São Bento; o Nossa Senhora da Guia, no distrito Barra Grande; e o de Barra de Piabas, na zona rural do município.
O 7Segundos tentou contato com a assessoria de comunicação do município e com o secretário de Infraestrutura, Róberio Veloso, sem sucesso.
Em reportagem publicada no dia 5 de abril de 2018, o diretor de Infraestrutura do município, Robson Monteiro, reconheceu o problema na cidade e deu a seguinte declaração: “Só está enterrando quem já tem algum familiar sepultado em um período de mais de três anos. Quem não tem parente morto nessas condições é encaminhado para outros cemitérios, em outras cidades”. Ele frisou também que todos os cemitérios de Maragogi devrão ser ampliados, mas não deu detalhes sobre prazo.
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