Investigações identificam óleo venezuelano em praias do Nordeste
Poluente já foi identificado em mais de 130 pontos do litoral
Investigações sigilosas realizadas pela Marinha e Petrobras encontraram petróleo com a mesma “assinatura” do óleo da Venezuela em manchas que se espalham pelo mar na região Nordeste. O poluente já foi identificado em mais de 130 pontos no litoral dos oito estados da região.
Nesta terça-feira (8), o presidente Jair Bolsonaro disse não descartar que tenha sido uma ação criminosa, mas ponderou que a apuração sobre o caso ainda está em curso.
Segundo uma fonte da alta cúpula do governo ouvida pela reportagem, trata-se do mesmo tipo de óleo extraído da Venezuela. A conclusão já foi comunicada ao Ibama, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente. Não é possível dizer que todo o vazamento que atinge as praias do Nordeste tem a mesma origem, mas análises já realizadas em algumas manchas concluíram, com 100% de certeza, que se trata de material de origem venezuelana.
O governo tem tratado o tema com total sigilo. A Marinha e a Polícia Federal analisam amostras e ainda não deram informações sobre a origem do acidente. A Petrobrás se limita a informar que não se trata de material processado ou comercializado pela empresa.
O presidente Jair Bolsonaro afirmou que há a possibilidade de que o derramamento de óleo em praias do Nordeste tenha sido criminoso. Ele, no entanto, ponderou que as investigações ainda estão em curso e evitou comentar sobre o envolvimento de outros países.
A reportagem questionou a Petrobras sobre a possível presença de óleo da Venezuela nas instalações da refinaria Abreu e Lima, estrutura que, em princípio, seria construída com a parceria da estatal venezuelana PDVSA.
A Petrobras informou que nunca processou óleo de origem venezuelana em Abreu e Lima, nem mantinha estoque de produtos daquele país em suas instalações.
Por meio de nota, a Petrobras declarou que a análise realizada pela empresa em amostras de petróleo cru encontrado em praias do Nordeste “atestou, por meio da observação de moléculas específicas, que a família de compostos orgânicos do material encontrado não é compatível com a dos óleos produzidos e comercializados pela companhia”.
Os testes foram realizados nos laboratórios do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), no Rio. “Desde 12/9, a Petrobras realizou, por solicitação do Ibama, limpeza de praias que apresentaram manchas de óleo nos últimos dias, nos estados de Alagoas, Sergipe, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Maranhão, Rio Grande do Norte e Bahia. O trabalho é realizado pelas equipes do Centro de Defesa Ambiental da Petrobras, nas praias indicadas pelo órgão ambiental”, informou.
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