Satélites não encontram origem de vazamento de óleo, diz agência americana
O órgão do governo americano especializado em identificar e monitorar vazamentos de petróleo no mar utilizou seus recursos tecnológicos mais avançados para ajudar o governo brasileiro a descobrir a origem do material fóssil que está poluindo as praias do Nordeste. O resultado, porém, acrescenta mais um toque de mistério às investigações sobre o que causou as manchas de óleo que se espalharam pela região.
Atendendo a uma solicitação do governo brasileiro, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) fez uma varredura em uma extensa área do Oceano Atlântico, próxima ao litoral nordestino, com base em imagens dos sistemas satelitais Sentinel 1 e Sentinel 2, operados pela Agência Espacial Europeia. Em alguns pontos, a varredura chegou a cobrir uma distância de mais de 700 quilômetros da costa brasileira.
Foram analisadas imagens entre 25 de agosto e 7 de outubro. O relatório enviado na semana passada a representantes do governo brasileiro, no entanto, aponta que não foram encontradas indícios de petróleo na área investigada.
"A cobertura de imagens em todos os dias foi limitada a uma pequena porção da área indicada, incluindo alguns dias sem cobertura", diz a legenda do mapa fornecido pela NOAA. Isso significa que os técnicos procuraram indícios de petróleo no mar em imagens feitas ao longo de várias semanas que cobrem toda a extensão da área hachurada, mas que as análises dia a dia só foram feitas em trechos menores dessa área."Infelizmente, a análise não identificou qualquer anomalia de petróleo para ajudar a identificar a fonte do vazamento. A análise foi conduzida de maneira consistente com a metodologia que os Estados Unidos usam para monitorar poluição por petróleo em nossas águas", informa o relatório com data de quinta-feira (10).
Todos os anos, a NOAA é acionada para monitorar mais de 150 vazamentos de petróleo e produtos químicos em águas americanas. Boa parte dessa atividade está concentrada no Golfo do México, área com intensa extração de petróleo offshore. O fato de todo esse know-how não ter sido suficiente para solucionar o mistério do vazamento que provocou um desastre ecológico no Nordeste apenas dá força a teorias alternativas, algumas das quais chegam a ser mirabolantes e conspiratórias.
Por enquanto, uma das hipóteses aceitas é a de que o petróleo vazado, por suas características, "navega" por baixo da superfície da água e só aparece quando encontra um obstáculo, como uma praia ou as pedras do litoral. A outra é a de que a fonte do vazamento está submersa e continua liberando petróleo.
Como mostra reportagem do UOL, o uso de imagens de satélites para fazer buscas e investigações no mar esbarra em limitações técnicas, que são agravadas pelas características específicas do óleo do atual vazamento.
A tentativa da NOAA de encontrar vestígios do petróleo "equivale a um sujeito com 4 graus de miopia tentando ler letras pequenas a oito metros de distância", compara Humberto Barbosa, professor chefe do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélite da Universidade Federal de Alagoas. "Esse sujeito com miopia é o satélite e as letras são as manchas de óleo, que no caso deste vazamento são pequenas, pelo que se pode perceber pelos pedaços que estão chegando nas praias", diz Barbosa.
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