Suspeito diz à PF que viu indigenista no dia do desaparecimento, mas que saiu para caçar
Testemunha teria visto Amarildo da Costa Oliveira no rio Itaquaí, contrariando o depoimento do pescador
Principal suspeito do desaparecimento de Bruno Pereira e Dom Phillips, o pescador Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado”, disse à Polícia Federal (PF) que viu o indigenista no dia do desaparecimento.
Pelado, porém, negou que tenha saído atrás de Bruno e disse que saiu de casa para caçar porcos.
Segundo o relato, o suspeito teria visto Pereira passando de barco em frente à comunidade São Gabriel. O pescador afirmou, ainda, que conhece Bruno Pereira “apenas de vista” e que nunca conversou com ele.
As informações constam em documentos encaminhados pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (14), atendendo a uma determinação do ministro Luís Roberto Barroso.
A PF narra que Pelado disse ser pescador há mais de 30 anos na área do rio Itaquaí e que ele mora há 10 anos na comunidade São Gabriel. O pescador disse não possuir armas de fogo, “pois há muita fiscalização da polícia peruana na região de Islândia”.
Pelado disse à PF que não saiu de casa durante todo o domingo e que apenas saiu na segunda-feira (6) para caçar porcos. O pescador é um dos principais suspeitos do caso, junto de Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como “Dos Santos”, que foi preso nesta terça.
Testemunha
A PF afirma, nos documentos encaminhados ao STF, que uma testemunha, cuja identificação é mantida em sigilo, relatou ter visto Pelado no rio no próprio domingo (5), contrariando o que o pescador disse aos policiais.
No depoimento, a testemunha disse que Pelado estava em uma voadeira de alumínio de cor verde e que ele teria ultrapassado a própria testemunha.
Um pouco depois, a testemunha disse que um outro homem (Dos Santos) encontrou com ele no rio e pediu carona. Quando chegaram ao local onde estava a embarcação de Pelado, Dos Santos pediu para descer. Segundo a testemunha, Dos Santos estaria carregando uma espingarda consigo.
“A junção das informações acima permitem inferir a presença de fortes elementos indiciários de que Oseney da Costa de Oliveira, vulgo “Dos Santos” e Amarildo da Costa de Oliveira, vulgo “Pelado” podem estar envolvidos no desaparecimento de Bruno e Dominic”, concluiu a PF.
Os investigadores narram, ainda, que a testemunha “relatou que ouviu Bruno [Pereira] dizer que estava sendo ameaçado por pessoas que não aceitavam as atividades de combate às ilegalidades recorrentes contra indígenas da região”.
“Entre as ameaças recebidas por Bruno, algumas delas foram proferidas por ‘Pelado'”, disse a testemunha à PF, que relatou, ainda, que o pescador “tempos atrás teria efetuado disparos de arma de fogo contra a base local da Funai e, recentemente, ameaçado os “vigilantes” da região ostentando uma arma de fogo do tipo espingarda”.
O envio dos documentos atende a uma decisão do ministro Barroso, que, na última sexta (10), determinou que o governo aplicasse todos os esforços possíveis nas buscas por Bruno Pereira e Dom Phillips e enviasse ao Supremo um relatório do andamento das investigações.
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