Bolsonaro não estava preparado para sair e deve ter participado de tentativa de golpe, diz Lula
Ex-presidente e aliados são alvos de operação da Polícia Federal realizada nesta quinta-feira (8) em dez estados
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, sem citar o nome, que Jair Bolsonaro "não estava preparado para sair" da Presidência da República e que "deve ter participado" da construção da tentativa de golpe no país. A declaração foi dada durante uma entrevista nesta quinta-feira (8) a uma rádio. O ex-presidente e diversos aliados são alvo de operação da Polícia Federal.
"As pessoas precisam aprender: eleição democrática, a gente perde e a gente ganha. Quando a gente perde, a gente lamenta. Quando a gente ganha, a gente toma posse e governa o país. O cidadão que estava no governo não estava preparado para ganhar, para perder e não estava preparado para sair. Tanto é que não teve nem coragem [...] e foi embora para os Estados Unidos. Ele deve ter participado da construção dessa tentativa de golpe. Vamos esperar as investigações", afirmou Lula.
O presidente relatou esperar da PF uma operação "mais democrática o possível" e que "não haja nenhum abuso". "Obviamente, tem muita gente envolvida. Tem muita gente que vai ser investigada. Houve a tentativa de golpe, uma política de desrespeito à democracia, houve uma tentativa de destruir uma coisa que construímos há tantos anos, que é o processo democrático. Essa gente tem que ser investigada. Temos que saber quem financiou, quem pagou, quem financiava aqueles acampamentos. Para que a gente nunca mais permita acontecer o que houve no 8 de janeiro", defendeu.
Bolsonaro é um dos alvos da operação que a Polícia Federal realizou na manhã desta quinta-feira (8) em dez estados para apurar a participação de pessoas na tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado democrático de Direito, para obter vantagem de natureza política com a manutenção do ex-chefe do Executivo no poder. Foi determinada a apreensão do passaporte do ex-presidente, e os agentes aplicaram outras medidas restritivas a ele.
Entre os alvos, estão o ex-presidente Jair Bolsonaro, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e os ex-ministros Braga Netto (Casa Civil), Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (GSI) e Paulo Sérgio Nogueira (Defesa). A PF prendeu o ex-assessor para Assuntos Internacionais da Presidência da República Filipe Martins e o ex-ajudante de ordens da Presidência da República Marcelo Câmara.
Ao todo, os agentes cumprem 33 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva e 48 medidas cautelares diversas da prisão, que incluem a proibição de manter contato com os demais investigados, proibição de se ausentarem do país, com entrega dos passaportes no prazo de 24 horas e suspensão do exercício de funções públicas.
Segundo a PF, o grupo investigado se dividiu em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas eleições de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar uma intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.
Durante a entrevista, Lula argumentou que o episódio registrado em 8 de Janeiro "não teria acontecido" sem o Bolsonaro. "Ele passou o tempo inteiro mentindo sobre as eleições, sobre as urnas, criando suspeição sobre a urna que foi responsável pela eleição dele em 2018. Ele fala da urna e fala que a eleição não foi legal, mas ele deveria então pedir para todos os deputados e senadores renunciassem porque todos foram eleitos pelo mesmo processo eleitoral, com a mesma urna. Então, era uma tática de criar, na sociedade, um descrédito. Quando você cria um descrédito, aí você pode fazer qualquer coisa".
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