Moraes dispensa ajuda da AGU na reação imediata às sanções dos EUA
Decisão do ministro do STF leva em conta o perfil do sistema judiciário norte-americano
Durante o jantar promovido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, na noite desta quinta-feira (31), o ministro Alexandre de Moraes indicou a autoridades presentes que, por ora, não deseja qualquer tipo de movimentação judicial relacionada às sanções impostas pelos Estados Unidos contra ele.
A sinalização, conforme apurou o R7, foi feita diante de integrantes do Supremo Tribunal Federal, ministros do governo e representantes de órgãos como a Advocacia-Geral da União e a Procuradoria-Geral da República.
O entendimento manifestado pelo ministro é de que a resposta inicial ao episódio deve ser conduzida no campo político e diplomático, sem atuação da AGU neste momento.
Moraes teria ponderado que, embora as sanções tenham base na chamada Lei Magnitsky — mecanismo norte-americano utilizado em casos considerados de violações graves de direitos humanos —, elas assumem um caráter político e requerem cautela na forma de enfrentamento.
A avaliação é de que medidas judiciais imediatas podem ser ineficazes e contraproducentes diante do modelo jurídico e institucional dos Estados Unidos.
A decisão de Moraes, segundo participantes do encontro, leva em conta o perfil do sistema judiciário norte-americano, cuja atuação é muitas vezes influenciada pela opinião pública e pelos ventos políticos do momento.
O ministro entende que, neste cenário, é mais prudente permitir que a diplomacia brasileira lidere a reação inicial, enquanto se aguarda um ambiente mais claro e estável para eventual resposta jurídica no futuro.
O jantar no Alvorada teve clima de solidariedade institucional ao ministro. Estiveram presentes os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Luiz Roberto Barroso, Edson Fachin e Flávio Dino. Também participaram o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski; o advogado-geral da União, Jorge Messias; e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Lula acompanhou pessoalmente os convidados até a saída da residência oficial.
Entenda a Lei Magnitsky
A Lei Magnitsky Global foi aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos em 2016 e permite ao governo norte-americano impor sanções unilaterais a indivíduos estrangeiros acusados de envolvimento em graves violações de direitos humanos ou corrupção. As sanções podem incluir o bloqueio de bens sob jurisdição americana, restrições de acesso ao sistema financeiro dos EUA e proibição de entrada no país.
No caso de Moraes, o Departamento de Estado não apresentou provas públicas ou documentação formal que comprove as supostas violações atribuídas a ele, o que alimenta críticas por parte do governo brasileiro de que as medidas têm fundo político. O Itamaraty, inclusive, já divulgou nota em que repudia o ato dos EUA e promete reação proporcional e firme.
Apesar da decisão de não agir judicialmente neste momento, interlocutores do governo seguem avaliando possíveis medidas futuras, especialmente no campo internacional, em fóruns multilaterais.
Veja também
Últimas notícias
Leonardo Dias acionará MP para fiscalizar espaços do novo Mercado da Produção
Procon na Rua chega ao Agreste com atendimentos em Palmeira dos Índios
Polícia Civil cria comissão para investigar assassinato de agentes em Delmiro Gouveia
Moraes cobra ação do governo brasileiro para extradição de Carla Zambelli
Governo inaugura restaurante popular nesta quinta-feira (21) em Arapiraca
Policial civil suspeito de matar colegas em Delmiro Gouveia tem prisão preventiva decretada
Vídeos e noticias mais lidas
Publicado edital para o concurso do Detran; veja cargos e salários
Jovem é expulso após ser flagrado se masturbando dentro de academia de Arapiraca
Jovem morre após complicações de dengue hemorrágica em Arapiraca
Com avanço das obras, novo binário de Arapiraca já recebe sinalização e mobiliários urbanos
