Lula sobre eventual encontro com Trump nos EUA: ‘Se for necessário, eu converso’
Brasileiro embarca para Nova York no próximo domingo, para assembleia da ONU
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quarta-feira (17) que pode conversar pessoalmente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na próxima semana, “se for necessário”.
Lula embarca no domingo (21) para os EUA, onde participa da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. Tradicionalmente, o Brasil abre o evento — o discurso de Lula será na terça-feira (23).
“Eu fui à ONU muitas vezes e tem presidente que eu encontro e outros que eu não encontro. E vai ser assim com o Trump. Eu falo primeiro que ele e vou chegar antes. Se ele chegar e passar perto de mim, vou cumprimentá-lo, porque eu sou cidadão civilizado. Eu converso com todo mundo. Eu estendo a mão para todo mundo. Eu nasci na vida política negociando”, declarou, ao afirmar não ter “nenhum problema pessoal” com Trump.
“A única coisa que eu sei é que ele é presidente dos Estados Unidos, ele não é o imperador do mundo. A única coisa que quero dele é que ele tenha uma relação civilizada com o Brasil e o Brasil com eles”, destacou, em entrevista ao canal público britânico BBC.
As falas ocorrem em meio ao tarifaço imposto por Trump a produtos brasileiros comprados pelos EUA. A taxa foi anunciada em 9 de julho e começou a valer em 6 de agosto.
“Se for necessário negociar com o Trump na hora, eu negocio e converso com o Trump. O que eu quero é que o Brasil seja tratado com respeito e o que aconteceu até agora não foi isso”, reforçou Lula.
No último domingo (14), o petista publicou um artigo no jornal norte-americano The New York Times direcionado a Trump. Questionado por escrever o texto em vez de telefonar para o republicano, Lula afirmou que “eles não querem conversar”.
O brasileiro destacou, ainda, que nem chegou a tentar ligar para Trump, porque “ele nunca quis conversar”.
“Eu estou dizendo há quatro meses que estamos dispostos a conversar. É importante lembrar que, quando o presidente Trump comunicou a taxação ao Brasil, ele não comunicou da forma civilizada com a qual dois chefes de Estado se comunicam”, criticou.
Lula reforçou que colocou parte da equipe para negociar com os norte-americanos. Os diálogos brasileiros têm sido liderados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) também participam das conversas.
“Eles não querem multilateralismo, eles querem unilateralismo. Quando eles quiserem conversar, o Brasil está pronto. E com o Trump, na hora em que ele quiser, eu estou disposto a conversar”, garantiu Lula.
“A razão por que nós não ligamos é porque os americanos não querem conversar. Eles acham que eles podem tomar decisões, publicar no jornal e a responsabilidade fica do nosso lado. Não. E vamos fazer a reciprocidade, no momento em que nós entendermos que é correto. Quem sabe, depois de tudo isso, haja a possibilidade de sentar numa mesa e negociar?”, completou.
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