Luzes 'não identificadas' no céu de Porto Alegre podem ser reflexos do Sol em satélites, diz astrônomo
Já representante dos aeronautas afirma que pilotos sabem diferenciar luz refletida em satélites
As luzes não identificadas que intrigam pilotos de avião há cinco dias no céu de Porto Alegre podem ser reflexos do Sol em painéis de satélites. A hipótese é levantada pelo astrônomo e diretor-técnico da Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros, Marcelo Zurita.
O fenômeno vem ocorrendo desde a última sexta-feira (4). Pilotos de aviões comerciais relataram os episódios à torre de controle do Aeroporto Salgado Filho. Zurita afirma, no entanto, que existem diversas possibilidades sob análise.
"A hipótese que a gente está trabalhando e que me parece mais coerente é o que a gente chama de 'flyers de satélite', reflexos da luz do Sol nos painéis de satélites que passam a milhares de quilômetros de distância. Eles acabam refletindo a luz do Sol diretamente na direção do observador e acaba gerando essa condição rara da gente observar esse fenômeno", diz.
O piloto e diretor-jurídico do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Diego Barrionuevo, afirma que os pilotos sabem diferenciar satélites e outros objetos de fenômenos como esses, não identificados nos radares.
"Satélites, é bem comum a gente observar as luzes passando no céu, ainda mais agora com essa constelação de satélites que foi enviada para o céu. É bem comum", comenta.
A Força Aérea Brasileira (FAB) informa que, "nos últimos dias, o controle do espaço aéreo ocorreu dentro da normalidade, e que não houve registro de ocorrência aeronáutica no Rio Grande do Sul". A Aeronáutica diz ainda que nenhum objeto desconhecido foi identificado pelos radares de defesa aérea.
Registro em Torres
Por volta do mesmo horário em que o fenômeno foi registrado por pilotos se aproximando de Porto Alegre, as luzes também foram vistas em Torres, no Litoral Norte. A equipe do astrofotógrafo Gabriel Zaparolli registrou imagens do céu iluminado na região.
"Eu estava indo para fotografar a tempestade que estava formando, tempestade que acabou não dando nada. Daí, olhando no horizonte sul, começamos a observar a movimentação dessas luzes estranhas", conta.
Segundo Gabriel, as luzes ficaram indo e voltando durante cerca de meia hora em alto mar.
Os relatos frequentes e o vídeo feito pelos pilotos vêm sendo analisados pelo Observatório Astronômico Cosmos, em Itaara, na Região Central do estado. Notícias de luzes não identificadas estão aparecendo também no Uruguai e na Argentina.
"Esse relato e esse vídeo mostram que estamos diante, no momento, de um fenômeno aéreo não identificado. Veja bem, não quer dizer que daqui a uma semana ou um mês podemos identificar", comenta Hernan Mostajo, diretor do observatório.
O material foi enviado a pesquisadores da Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, que avaliam fenômenos não identificados.
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