Vacinada, Thaís Carla lamenta gordofobia no sistema de saúde: 'Eu sofri'
Em entrevista, ela declarou torcer para que todos os brasileiros tenham acesso à imunização e criticou o governo pela demora na agilidade para viabilizar a vacina
Thaís Carla está feliz da vida por ter recebido a primeira dose da vacina contra covid-19. Em entrevista à "Marie Claire", a dançarina declarou torcer para que todos os brasileiros tenham acesso à imunização e criticou o governo pela demora na agilidade para viabilizar a vacina.
"É um alívio e, ao mesmo tempo, um desejo de que todos brasileiros possam ter a mesma sensação e que não demore tanto, afinal, temos até aqui mais de 500 mil mortes e sabemos que muitas poderiam ter sido evitadas caso houvesse uma melhor gestão da compra e distribuição das vacinas para todos", declarou.
Militante pela aceitação dos corpos gordos, ela teve direito a imunização por ter o IMC acima de 40 e aconselhou quem ainda tem dificuldade de autoaceitação a enfrentar a gordofobia do sistema de saúde para ter o laudo médico para receber o medicamento.
'A escolha não é algo fácil, mas é também política. Sabemos que nossos corpos não são comportados em vários espaços, inclusive os médicos e hospitalares, onde as macas não suportam nosso peso, os equipamentos não são adequados, o tratamento é desumanizante etc. Então, tomar a vacina é não só preciso, como urgente. É necessário que eu esteja bem para seguir trabalhando, cuidando das minhas filhas, vivendo e fazendo o que tenho feito, que é criar conteúdo sobre como podemos ter corpos diferentes do padrão existente e, ainda assim, sermos saudáveis".
Thaís Carla lamentou que a ida aos médicos acabam gerando comentários com ênfase ao sobrepeso, mas aconselhou as pessoas que estão com grau de obesidade avançado a buscar o direito de se vacinar.
"É um processo para que uma pessoa gorda se convença de que precisa ir ao médico, na maior parte das vezes, pois, quase sempre, ela vai sofrer algum tipo de discriminação, vai enfrentar a gordofobia médica... A vacina é fundamental e um grande pacto coletivo. Todos devem se vacinar, independente do tamanho do corpo, mas nós somos considerados grupos de risco... Eu sofri muita gordofobia médica na gestação das minhas filhas, foi horrível e isso ainda acontece. Uma pessoa gorda não pode ir ao médico porque tudo vira ênfase ao seu peso. Sobre o laudo, eu não tive dificuldades porque eu sempre tive acompanhamento desde a gestação da Eva" .
Ela também sugeriu que as pessoas se aceitem sem medo de ser feliz, independente, do peso. Afinal, a pandemia do novo coronavírus mostrou que a vida é 'breve e imprevisível'. Ou seja, não há tempo para viver triste.
"Se tem uma coisa que a pandemia nos mostrou é que a vida é breve e imprevisível. Que temos pouco controle sobre as coisas e que é urgente que salvemos nossos minutos, horas e dias, sendo o mais felizes que pudermos ser, com quem amamos. Não temos tempo de esperar termos o 'corpo ideal' ou 'corpo padrão' ou ainda 'corpo magro' para sermos felizes. Precisamos nos amar e isso inclui amar também o nosso corpo".
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