Protesto contra austeridade reúne 100 mil e acaba em confronto na Bélgica
Uma manifestação contra a austeridade reuniu hoje (6) cerca de 100 mil pessoas em Bruxelas e acabou em confronto entre os participantes e a polícia, que lançou gás lacrimogêneo contra um grupo que atirou pedras e incendiou contêineres de lixo.
Os manifestantes levavam capuzes e bandeiras com as cores vermelho, azul e verde, que representam vários sindicatos, e gritaram palavras de ordem contra as medidas de austeridade do novo governo belga, de tendência direitista. Os sindicatos estimaram em mais de 130 mil o número de participantes, que marcharam ao som de assobios e lançaram foguetes no centro da capital em protesto contra decisões governamentais que consideram injustas.
Alguns manifestantes subiram em cima de carros virados ao contrário e atiraram pedras da calçada e fogos durante a manifestação. A polícia de choque investiu contra um grupo que incendiou contêineres de lixo e ergueu barricadas nas ruas.
"É preciso esforço, é óbvio, mas o pacote de medidas proposto pelo governo é particularmente injusto. As grandes empresas e os detentores de capital não participam [do protesto] em solidariedade [ao governo]. Pelo contrário, ou reduzem os salários, ou reduzem a pensão, o que afeta a segurança social”, disse a líder socialistas, Laurette Onkelinx, que encabeçou a marcha.
As companhias de metrô venderam bilhetes a preços baixos para permitir maior participação de pessoas nos protestos.
Na Bélgica, muitas empresas, principalmente as do setor siderúrgico, e os portos de Antuérpia e Zeebrugge, enfrentam problemas de crescimento.O assunto deve ser discutido na reunião do Conselho de Ministros, que contará com a presença de representantes de três sindicatos.
A manifestação de hoje foi vista como o início de uma ofensiva dos sindicatos que poderá culminar em uma greve geral no dia 15 de dezembro. Os sindicatos e os partidos da oposição afirmam que as medidas de austeridade têm impacto negativo sobre os salários e benefícios sociais, que não acompanham o aumento automático de custo de vida na Bélgica. Eles discordam também do aumento da idade mínima para aposentadoria, de 65 para 67 anos, 2030.
O novo primeiro-ministro, Charles Michel, que lidera uma coligação formada por três partidos flamengos e um francófono, o Movimento Reformador, do qual faz parte, disse que os manifestantes querem um governo que faça "do emprego [sua] primeira prioridade."
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