Estão querendo revogar a Lei Áurea, diz relator da terceirização no Senado
O Brasil vive um grande imbróglio com dois projetos distintos que visam a regulamentar a terceirização do trabalho: um aprovado pela Câmara e pronto para ser sancionado ou vetado pelo presidente Michel Temer; outro em tramitação no Senado. O do Senado é mais recente (de 2015), mas a Câmara apressou-se, desengavetou e aprovou nesta semana uma proposta de 1998, que libera a terceirização até para atividades-fim.
O senador Paulo Paim (PT/SP), relator do projeto do Senado, faz duras críticas à postura da outra casa legislativa. "Lamento a Câmara ter votado com uma grande irresponsabilidade esse projeto, que é de 1998, um projeto atrasado, arcaico", disse em entrevista exclusiva à Jovem Pan neste sábado (25). "Vai ser uma insegurança jurídica e vai ser ruim para empresário e trabalhador", classifica. Para Paim, a proposta que está nas mãos de Temer pode deixar a Justiça do Trabalho "ainda mais encalhada".Para o petista, a proposta que relata no senado é melhor pois não permite a terceirização de atividade-fim das empresas. "Queremos regulamentar a situação dos 15 milhões que estão em regime de semi-escravidão", diz. "A maioria das empresas terceirizadas não paga fundo de garantia, não paga a Previdência", avalia o parlamentar, citando companhias que fecham as portas, reabrem com outro nome e não paga os direitos de seus ex-funcionários.
"Queremos terceirizar, sim, tem que regulamentar os 15 milhões, garantindo instrumentos para que as terceirizadas paguem os mesmos direitos dos outros trabalhadores", propõe. Paim afirma que hoje, devido à desregulamentação, o trabalhador terceirizado trabalha três horas a mais do que aquele submetido à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O senador diz que "a cada cinco mortos em acidentes de trabalho, quatro são de terceirizadas".
Paim faz mais críticas ao texto aprovado na Câmara da terceirização irrestrita e discorda de que ele possa trazer mais segurança jurídica. "Não é verdade. Estão mentindo, porque eles querem precarizar. Não aceitaram botar a palavra 'responsabilidade solidária'" (no texto do projeto). "Ninguém terceiriza para perder dinheiro. Terceirizam para pagar menos", constata. Ele discorda da tese de que o projeto da Câmara poderá fazer diminuir o desemprego. "Quem determina o emprego é a economia, o mercado, o investimento", afirma Paim.
"Eu não sou contra o lucro. Quero o lucro para todo mundo. Mas, pelo amor de Deus, vamos manter também os direitos básicos dos trabalhadores que está na CLT e na Constituição", pede o senador petista.
Paim criticou a prevalência total do negociado sobre o legislado no acordo entre empregados e empregadores. O senador disse ainda que pediu vistas do projeto que permite a jornada intermitente, que flexibiliza o horário de trabalho. "É na verdade returar os direitos dos trabalhadores, tanto do que está na CLT, desrespeitando tudo". Em seguida, Paulo Paim conclui: "Eu chego a dizer, e a expressão é minha, assumo a responsabilidade: é quase a revogação da lei áurea o que estão querendo fazer no Brasil hoje, com os assalariados, com os aposentados".
Últimas notícias
Núcleo de Línguas Estrangeiras amplia vagas com novas turmas de inglês
Câmeras flagram motociclista tentando frear antes de colisão fatal em Arapiraca
Polícia Militar apreende armas, cocaína, maconha, crack e lança perfume
Dívida ligada ao tráfico pode ter motivado homicídio dentro de mercadinho em Maragogi
Irmãos são presos suspeitos de executar comerciante e roubar carga de frangos
Arsal aprova novas regras para concessão da Tarifa Social de Água e Esgoto em AL
Vídeos e noticias mais lidas
Governo de Alagoas inicia cobrança pelo uso de água de rios e poços no estado
Táxi de Arapiraca fica submerso após avanço da correnteza na Praia do Peba
[Vídeo] Polícia Civil divulga imagens da perseguição ao Guarda Municipal morto em Teotônio Vilela
Morador de Arapiraca está no interior de SP e quer voltar para Alagoas
