Produtores de leite de AL não recebem pagamento há quase três meses
Quase 4 mil pequenos produtores de leite entregam leite sem receber.
A quatro meses do fim de 2017, os pequenos produtores de leite cadastrados do Programa do Leite no estado vivem um dilema sem precedente por conta da escassez de pagamentos. É que o governo federal não cumpriu o que o presidente Michel Temer e o ministro Osmar Terra, do Desenvolvimento Social, prometeram em dezembro passado, em ampliar e regularizar os pagamentos, obrigando o Programa improvisar os pagamentos somente com a contrapartida do Estado durante todo o ano.
De janeiro até agora o programa operou com R$ 7 milhões de contrapartida do Estado. Os R$ 30 milhões que deveriam ser empregados pelo MDS ainda não chegaram aos cofres do Programa, deixando quase 4 mil produtores entregando leite sem receber.
“Ficamos no extremo prejuízo sem ter onde colocar o leite, perdendo o preço bom e jogando leite no lixo. Mesmo assim, vamos lutar, com o que for preciso, para não deixar o Programa acabar”, declara seu Cícero Leite, da comunidade Cajá dos Negros, em tom de desespero.
As Cooperativas que organizaram os produtores, CPLA, Cafisa, Agra e Pindorama realizaram um ato público nesta segunda-feira (04) com a presença da bancada federal para questionar o porquê da penalização aos pequenos produtores de Alagoas. O Programa pratica o melhor preço de mercado, comprando o litro de leite no valor de R$ 1,28.
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Os deputados Cícero Almeida, Pedro Vilela e coordenador da Bancada, Ronaldo Lessa, participaram do encontro para discutir medidas urgente para tentar conter a crise que ameaça o Programa do Leite. Para um público de quase 300 pessoas, entre produtores e beneficiários, o ex-governador Ronaldo Lessa (PDT/AL), lamentou a situação do Programa e renovou seu compromisso pelo setor produtivo.
“São dois meses e meio de atraso, sem o Programa pagar um centavo a qualquer pequeno produtor. A bancada federal já tomou ciência da situação e vamos solicitar uma audiência em BrasíliA o mais rápido possível para colocar em dia esses pagamentos e revitalizar esse Programa que vem sendo defasado”, declarou em discurso Lessa.
Os deputados Cícero Almeida (PMDB/AL) e Pedro Vilela (PSDB/AL) se colocaram à disposição para salvar o Programa. “Mesmo diante da recessão econômica, a função social e econômica não pode ser penalizada num País que precisa extinguir o mapa da fome. Essas pessoas são prioridade. Essa desatenção é que não pode acontecer. É uma obrigação que o governo precisa ter. Não se pode atingir os mais carentes”, defendeu.
Pedro Vilela lembrou a força do agronegócio que vem ajudando a manter os números da economia e o modelo estruturante desempenhado pelo Programa. “Há relatos de que produtores de alto desempenho tiveram como berço o Programa do Leite. Isso é muito importante desenvolver essas alternativas de renda e ocupação no campo em meio ao marasmo da recessão econômica que atinge o País, e principalmente a economia dos municípios”, citou Vilela.
O impasse governo federal x Programa do Leite ganhou um novo capítulo, segundo o presidente da CPLA, Aldemar Monteiro, em discurso aos produtores. “Surgiu uma cobrança de prestação de contas de um repasse de recursos que não foi repassado. O último foi em fevereiro de 2016. Foi acusada uma possível irregularidade que não existe. O governo federal precisa se definir, se é ou não viável manter centenas de famílias empregadas e se estruturando a partir do Programa”, revelou.
Pedido de socorro
Apesar de mobilizar um “SOS Programa do Leite” e aumentar o nível de pressão ao governo federal, as Cooperativas e governo de Alagoas já trabalham com a possibilidade de antecipar a contrapartida final. “Sabendo das dificuldades, o govenador Renan Filho está preocupado com o desfecho do programa para esse ano. Já existe uma possibilidade de injetar um novo ânimo para pagar as quinzenas em aberto com recursos do Fecoep”, adiantou Alvaro Machado, secretário executivo da pasta de Agricultura de Alagoas.
Em defesa da sustentabilidade do Programa, o presidente da Cooperativa Pindorama, que detém uma fatia de produtores, reforçou o pleito. “Esse é o programa mais importante que o governo pode ter. Ele atende todas as portas: do pequeno produtor , que precisa de uma atenção e cuidado permanente, à ponta de quem precisa manter segurança alimentar. Então, precisamos de um programa estável, que seja visto no olhar da oportunidade e empregabilidade”, definiu Santos.
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