Homem que é homem cuida da saúde e não deixa de prover sua família, afirma médico
A Campanha Novembro Azul intensificou, durante os trinta dias deste mês, a prevenção e o tratamento da saúde do homem, em especial contra o câncer de próstata, segundo que mais mata homens no Brasil – 14 mil óbitos registrados. No geral, é o sexto tipo mais comum no mundo e em Alagoas há, oficialmente, 560 casos, sendo 210 na capital Maceió.
Por questões culturais, o sexo masculino tende a não cuidar da saúde e não olhar para o seu próprio corpo. Sendo orientado, desde o seu nascimento, a não chorar e suportar qualquer tipo e intensidade de dor, seja emocional ou física, quando na verdade esse é o primeiro sinal da maioria das doenças.
Na contramão do senso comum, o médico alagoano João Aderbal Raposo Moraes, que atua na Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de Alagoas e na Santa Casa, sugere, de maneira acertiva, que “homem que é homem se examina porque se não o faz fica sujeito a morrer, deixando assim de prover a sua família”.
Para ele, é importantante que em pleno século XXI o gênero pare, perceba que exames e consultas médicas não tiram a masculinidade, e se pergunte “será que eu tenho sintomas relacionados à próstata?”.
Dr. João Aderbal
Os sintomas, como explica o médico oncologista e referência no tema em Sergipe, Nivaldo Farias Vieira, vão desde a esfera urinária, que são dificuldade para urinar, urina presa, presença de sangue na urina, sensação que ficou urina na bexiga ao acabar de urinar, acordar várias durante a noite para urinar e jato fraco, até a esfera sexual, quando o homem apresenta sangue na ejaculação e até dificuldade para ejacular.
Outro aspecto que deve ser levado em conta, é o histórico familiar do paciente. Homens com pai, primo ou irmão (ou qualquer parente de primeiro grau) com câncer de próstata certamente vão precisar fazer o rastreamento da doença. Já o terceiro grupo importante de ser analisado, é o da raça negra.
“Homens que se encaixem nesses perfis, devem passar pelo exame de toque real e a dosagem do PSA, através da coleta de sangue, para todo os outros, devem ser tomadas medidas gerais de promoção à saúde, como alimentação balanceada, atividade física regular e aeróbica, evitar o tabagismo e limitar o consumo de álcool”, explicou o médico.
Dr. Nivaldo Vieira em conversa com o governador de Sergipe, Jackson Barreto.
Exame de Toque
O exame de toque é feito em poucos segundos, pelo médico urologista e não há preparações para realizá-lo. Com o uso de luvas, o médico lubrifica o dedo indicador que será introduzido no reto - proporção final do intestino grosso. Para facilitar a protrusão da mucosa anal, o médico pode solicitar que o paciente faça uma força similar à de defecar.
A partir de então, o médico insere o dedo no ânus, passando pelo reto até chegar à próstata - glândula localizada abaixo da bexiga, com o tamanho de uma noz - que deve ser apalpada para verificar o seu tamanho, seu tamanho e presença de nódulos palpáveis durante o toque.
O exame de toque retal é indolor e, para que cause menos desconforto, é indispensável que o paciente esteja o mais relaxado possível. Não é preciso ficar em posição vexatória, sendo possível fazê-lo até mesmo com o homem de pé. O resultado é dado na hora.
“Não leva o homem a nenhuma desmoralização e não macula a sua ombridade”, garantiu o médico da Sesau.
PSA
O PSA é uma substância produzida somente pelas células da próstata. Quando o homem tem um câncer na região, há um aumento dessa substância no corpo.
A avaliação dos níveis de PSA, realizado por meio de um exame de sangue, é uma forma complementar de detecção de problemas ligados à próstata, não eliminando, assim, o exame de toque.
Tanto que a periodicidade do exame de toque varia de acordo com os níveis de PSA presentes no organismo: PSA abaixo de 2,5 ng/ml, o exame de toque pode ser repetido a cada dois anos; PSA acima de 2,5 ng/ml o exame de toque deve ser feito anualmente. Se o exame de toque e PSA estiverem normais, o paciente deve realizar os anualmente.
Alerta
Para finalizar, o médico Nivaldo Farias, que conta em seu currículo com especialização no Sírio Libanês e doutorado na Universidade de São Paulo, levanta uma questão interessante durante sessão plenária na Assembleia Legislativa de Sergipe, "secretarias e ministérios cuidam de doença e conversam sobre, quando deveríamos falar de saúde".
"Precisamos parar de apagar incêndio e conversar sobre o leite derramado, e entender que a atenção à saúde pública deve vir ainda na infância, quando farotes determinantes indicam se aquela criança é propensa a ter câncer ou não", completou.
Ou seja, para o médico, cuidar da saúde não é algo que está ligado a campanha Novembro Azul ou Outubro Rosa, e sim a estar sempre vigilante e utilizar os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
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