Vereadores de Arapiraca querem a cassação da licença da Frigovale para abate de animais
Durante tribuna livre, parlamentares se posicionaram a favor dos marchantes e da comunidade
Ao final de várias horas de tribuna livre, que só acabou na madrugada desta quarta-feira (03) e contou com a participação de marchantes, moradores do conjunto Brisa do Lago, representante da Frigovale e Defensoria Pública, vereadores se posicionaram pelo fim da concessão da empresa para fazer o abate de animais em Arapiraca.
O vereador Pablo Fênix (PRB) afirmou que medidas precisam ser tomadas com "urgência urgentíssima" no sentido de sanar as reclamações dos marchantes e da comunidade do Brisa do Lago, localizada ao lado da Frigovale. Ele solicitou também ao presidente da Câmara, Jário Barros (PRP), a convocação de uma audiência pública com a participação de Ministério Público Estadual, prefeitura de Arapiraca, Adeal, Instituto do Meio Ambiente, OAB/Arapiraca e membros segmentos da sociedade civil, para discutir a concessão e a licença de atuação da Frigovale.
Pablo Fênix também solicitou cópia do contrato da prefeitura com a empresa e falou sobre as denúncias de que o abatedouro privado estaria se apropriando de parte da carne abatida no local e de que o mal cheiro estaria prejudicando os moradores do Brisa do Lago. O comerciante de carnes Carlos Albuquerque, conhecido pelo apelido de Pedrão, e o representante da Cooperativa dos Marchantes de Alagoas, Marlos Santos, apresentaram uma série de reclamações e denúncias contra a empresa.
Marlos afirmou que possui documentos que deixariam os vereadores "estarrecidos" sobre o funcionamento do frigorífico e disse ainda que a empresa visa apenas o lucro. Carlos Albuquerque chegou a dizer que a Frigovale estaria "roubando" os marchantes, se apropriando de partes dos animais que deveriam ser entregues aos comerciantes. Ambos foram categóricos em afirmar que a empresa não cumpre as exigências estipuladas pela prefeitura de Arapiraca e os acordos que foram firmados junto ao Ministério Público Estadual.
O defensor público Marcos Antônio Silva Freire falou que o órgão não pode tomar partido de um dos lados do conflito entre a Frigovale e os marchantes, mas afirmou que as atividades da empresa estão prejudicando os moradores do Brisa do Lago. Segundo ele, na escola que fica na comunidade, professores e alunos estariam usando máscaras durante as aulas para tentar amenizar o mal cheiro, que estaria provocando problemas respiratórios nas crianças. A informação foi confirmada por moradores do residencial que compareceram à tribuna livre.
Durante a audiência pública, foi apresentado documento dos sócios da Frigovale em que Jaelson Gomes teria sido destituído da direção executiva da empresa. Jaelson, no entanto, afirmou que permanece no cargo por força de uma liminar judicial. Em sua fala, o diretor da empresa se desculpou por ter afirmado, em uma entrevista, que os vereadores estariam sendo induzidos pelos marchantes para se posicionar contra a Frigovale.
Em resposta, a vereadora professora Graça (PDT) afirmou que a direção da Frigovale teria faltado com respeito com a Câmara de Vereadores na entrevita e vem demonstrando falta de responsabilidade com os marchantes e a comunidade.
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