Caetano cobra R$ 2,8mi de Olavo de Carvalho por descumprir decisão judicial
O músico critica no artigo uma postagem de Olavo nas redes sociais, feita antes do segundo turno das eleições
O cantor Caetano Veloso cobrou R$ 2,8 milhões do escritor Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro, por descumprir decisão judicial e não remover de suas redes sociais "mensagens que relacionem o cantor à pedofilia". As mensagens seriam relacionadas ao início do namoro dele com a produtora Paula Lavigne quando ela tinha 13 anos, e o músico estava com 40 anos de idade na ocasião.
Autor da ação, o artista entrou com o pedido na Justiça por uma petição com memória de cálculo relacionada à desobediência à ordem judicial e o valor devido.
De acordo com a advogada de Caetano, Simone Kamenetz, após ser intimado, Olavo terá 15 dias para pagar. "Ele não pode mais recorrer da sentença, pois perdeu o prazo para a apelação".
O juiz deferiu a tutela, determinando que Olavo excluísse imediatamente o conteúdo ofensivo, sob pena de multa de R$ 10.000,00 por dia.
"Olavo foi citado da ação, e intimado da decisão da tutela, em 08 de fevereiro de 2019, via carta rogatória enviada à sua residência, nos Estados Unidos. Recentemente, o processo foi sentenciado, tendo sido Olavo condenado ao pagamento de danos morais a Caetano no valor de R$ 40.000,00", explicou a advogada.
Como Olavo não excluiu todos os conteúdos ofensivos, a defesa de Caetano fez um cálculo de dias, contando a partir de 48h após sua intimação da decisão da tutela, e a data da verificação da existência dos conteúdos não excluídos, que somou 281 dias de desobediência à ordem judicial, resultando numa multa de R$ 2,8 milhões.
Procurado, Olavo de Carvalho não respondeu até o momento às mensagens do UOL para comentar o assunto.
Em maio, Bolsonaro concedeu ao escritor a Grã-Cruz, condecoração dada pelo governo do Brasil para "distinguir serviços meritórios e virtudes cívicas, estimular a prática de ações e feitos dignos de honrosa menção."
Caetano e Paula se conheceram quando ela era adolescente nos bastidores de uma peça de teatro no fim dos anos 80.
Em entrevista à revista "Playboy", em 1998, a empresária afirmou que perdeu a virgindade com o músico aos 13 anos. Chamada de "a menina do Caetano", ela negou a relação por anos e chegou a começar uma carreira como atriz antes de gerenciar a carreira do marido e atuar como produtora de cinema.
Eles ficaram casados por 19 anos, até 2004, têm dois filhos e reataram a relação em 2016.
Queixa-crime
Olavo registrou uma queixa-crime contra Caetano após a publicação de um artigo escrito pelo músico na Folha, em outubro do ano passado. No documento, o escritor pede que o artista responda pelos crimes de calúnia, difamação e injúria.
O músico critica no artigo uma postagem de Olavo nas redes sociais, feita antes do segundo turno das eleições.
"Olavo de Carvalho segere em texto que, caso Bolsonaro se eleja, imediatamente à sua posse seus opositores sejam não apenas derrotados mas totalmente destruídos enquanto grupos, organizações e até indivíduios", escreveu Caetano em um trecho.
Caetano cita no artigo um "autoritarismo matador" e Olavo seria "sub-Heidegger do nosso sub-Hitler".
A defesa de Olavo negou que ele tenha pregado a morte de alguém e explicou que o que o escritor quis dizer era que a vida desses artistas ficaria mais difícil "sem a mamata das leis de incentviso".
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