Padre convidado para festa do padroeiro de Belém relata tremor de terra no início de missa
"Um grande estrondo, como se debaixo do altar houvesse um caldeirão que explodiu", relata pe. Basílio
O último dia da festa de São Sebastião, padroeiro de Belém, vai ficar marcado pelo tremor de terra que pegou boa parte da população do município dentro da igreja. O padre Basílio Joseilton Alves, que é natural de Arapiraca, mas que há 35 anos integra a Ordem Cisterciense em São Paulo, estava começando a celebrar a missa quando a terra tremeu, por volta de 17h25 da tarde de domingo (20).
"Feita a incensação do altar e da imagem de São Sebastião, fiz a saudação inicial. De repente um grande estrondo, que parecia vir do interior da terra, como se debaixo do altar da igreja houvesse um caldeirão que havia explodido. A explosão causou susto nas pessoas que estavam na igreja, elas se entreolhavam assustadas e eu senti, debaixo dos meus pés, o solo se movimentar", conta o padre, que foi convidado pelo administrador da paróquia, padre Tiago, para celebrar o encerramento dos festejos do padroeiro do município.
O religioso disse que manteve a calma, mas na hora que sentiu o tremor, teve a sensação de que o chão poderia ceder. "Na hora pensei: a Igreja agora vai descer, em vez de subir, vai descer agora", comentou, rindo. Mesmo assim, não teve dificuldade em continuar a conduzir a celebração. "Mantive a calma, na condição de presidente da celebração, deveria ser o primeio a manter a calma e conduzire a celebração na maior confiança em Deus", relatou.
Padre Basílio conta que, durante a missa, percebeu que os fiéis se perguntavam o que havia acontecido, se algum imóvel por perto havia desabado e que somente ao final da celebração, é que teve a certeza de que se tratou de um abalo sísmico. "A senhora prefeita [Paula Santa Rosa] se aproximou de mim e falou que, de fato, foi um tremor de terra e que já aconteceram outros na região", declarou.
Os cometários da população, no entanto, não atrapalharam a cerimônia e os festejos religiosos. A celebração eucarística transcorreu normalmente, assim como a procissão de São Sebastião. O tremor de terra, no entanto, vai ficar na memória do religioso. "Foi uma experiência única vivenciada por mim. Mas, na memória, levo também a alegria do povo de Belém, levo a beleza da fé do nosso povo, que luta e é guerreiro, mas também cheio de confiança e de esperança em Deus e que sabe enfrentar as dificuldades da vida e dos tempos difíceis que vivemos com um espírito de fé", concluiu.
A reportagem entrou em contato com o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis/UFRN), que monitora as atividades sísmicas na região, mas até o fechamento da reportagem não obtivemos respostas.
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