Miliciano morto em fazenda na Bahia soube de operação para capturá-lo na véspera
Leandro Abreu Guimarães, preso na ação, alegou que, no dia anterior à prisão, Adriano estava apreensivo
Um dia antes de ser morto por policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Bahia, o ex-capitão do Bope do Rio Adriano Magalhães da Nóbrega soube que a polícia preparava uma operação para prendê-lo em Esplanada, a 170km de Salvador. A revelação foi feita à Polícia Civil da Bahia por um fazendeiro que abrigou Adriano durante cinco dias. Leandro Abreu Guimarães, preso na ação, alegou que, no dia anterior à prisão, Adriano estava apreensivo e deu uma ordem para que ele o levasse a outro esconderijo.
Autoridades que trabalhavam para localizar Adriano, apontado como chefe de um grupo de matadores de aluguel chamado Escritório do Crime, estão convencidas de que ele recebia informações privilegiadas da polícia do Rio e que foi avisado sobre a operação. Por isso, na noite anterior à ação, por volta das 21h, Adriano deixou às pressas a fazenda de Leandro para se esconder em outra propriedade próxima.
O fazendeiro, que foi preso porque policiais encontraram armas em sua propriedade, alegou ter sido obrigado a levá-lo para o sítio onde acabou sendo morto pelo Bope baiano. Segundo seu relato à Polícia Civil, no sábado, Guimarães viu Adriano “teclando no aparelho celular (...) bastante nervoso”. Em seguida, o ex-capitão mandou que ele o levasse para outro esconderijo: “Adriano exigiu sob ameaça de morte que o levasse a um dos sítios que o mesmo tinha visitado, tendo o interrogado atendido aquele, deixando-o no sítio, onde aquele reiterou as ameaças para que não declarasse a localização do mesmo para ninguém”.
De acordo com o depoimento de Leandro, os dois já se conheciam anteriormente por conta de eventos, como vaquejadas, organizados pelo fazendeiro na região. Ele afirmou que não sabia que Adriano Nóbrega era matador de aluguel ou miliciano: “Sempre o tratei como criador de cavalos”, disse à polícia. O fazendeiro também afirmou que, quando foi procurado pelo ex-capitão, depois de ele fugir de uma ação anterior da PM numa mansão na Costa do Sauípe, no litoral da Bahia, há duas semanas, Adriano disse que estava de férias e “procurava terras para comprar na região”.
O sítio para onde Leandro levou Adriano na noite de sábado pertence ao vereador Gilson Dedé, do PSL, que afirma nunca ter visto Adriano e alega que o imóvel foi invadido pelo criminoso.
Pouco mais de uma dezena de PMs participou do cerco que terminou com a morte de Adriano Magalhães da Nóbrega. Dez policiais cercaram a casa onde Adriano estava escondido e outros quatro se encarregaram de fazer a abordagem. Dois carregavam escudos balísticos blindados, enquanto a outra dupla portava fuzis. Antes do grupo arrombar a porta, um dos agentes anunciou que a casa estava cercada e disse para Adriano se render. O ex-PM não respondeu.
Os policiais do Bope da Bahia, então, alegam que entraram no imóvel protegidos pelos escudos protetores e ouviram barulhos de tiros batendo no superfície metálica. Em seguida, os homens que portavam fuzis dispararam em direção a Adriano, que foi atingido por dois tiros. Os agentes dizem que encontraram o ex-capitão ainda vivo e o socorreram. Com Adriano os agentes apreenderam uma pistola Glock 9mm.
A Corregedoria Geral da Secretaria de Segurança da Bahia abriu uma sindicância para apurar a ação. Os corregedores querem saber se Adriano realmente reagiu à abordagem. Advogado de Adriano, Paulo Emílio Catta Preta afirmou que, na terça-feira passada, durante uma conversa por telefone, o miliciano afirmou que poderia ser executado como “queima de arquivo”. Em nota, a Secretaria de Segurança da Bahia classificou sua declaração como “estapafúrdia”.
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