[Vídeo] Pacientes da hemodiálise do Afra Barbosa se opõem a transferência para o Chama
Eles afirmam que hospital terá que colocar turnos de diálise durante a noite e madrugada para atender demanda
Pacientes que fazem tratamento de hemodiálise no Memorial Djacy Barbosa, mais conhecido como Hospital Afra Barbosa, não querem ser transferidos para o Centro Hospitalar Manoel André (Chama), como determinou a Secretaria Municipal de Saúde.
Os usuários, que ainda na manhã desta terça-feira (17) tiveram sessão de diálise no hospital que teve as atividades médicas interditadas pelo Conselho Regional de Medicina (Cremal), disseram que serão prejudicados com a transferência, porque possivelmente o Chama terá que fazer sessões noturnas ou de madrugada para atender a demanda.
“Não é assim que merecemos ser tratados. Somos 75 pacientes e não podemos simplesmente ser jogados para outro hospital. Certo que o hospital tem problemas, isso não é novidade para ninguém, mas a hemodiálise está funcionando normalmente. Quando estava o setor passando por dificuldades alguns meses atrás, não chegou ninguém para ajudar e nem para interditar, só agora é que fazem isso”, declarou Pedro Percussa, um dos pacientes da diálise do Afra Barbosa.
O paciente afirma que, no Chama, não há capacidade para atender aqueles que foram transferidos no período diurno e que isso provoca transtornos principalmente para aqueles que são de outros municípios. Há pacientes de Piranhas e de Porto Real do Colégio que se deslocam em transporte cedido pelas prefeituras. Pedro Percussa demonstrou também estar informado sobre a situação do Afra Barbosa.
“Se o problema for a UTI, que está interditada, já existe um acordo com o Hospital Regional. Não existe motivo para a hemodiálise do Afra Barbosa não funcionar. A diretora do hospital e os advogados estão tentando, lá em Maceió, prorrogar o prazo junto ao CRM [Conselho Regional de Medicina], enquanto aqui, muitos pacientes choram desesperados, alguns com mais de 20 anos de diálise, porque se sentem bem, já estão acostumados”, ressaltou.
José Carlos, residente em Piranhas, faz sessões de hemodiálise no Afra Barbosa há 17 anos e, nos dias em que precisa vir ao hospital, acorda 3h da madrugada, espera o transporte que chega uma hora depois e chega a Arapiraca 7h e só está de volta em casa no início da noite.
“Se for para transferir para outro local, sem a gente nem saber o horário que vai dialisar, como vai ser? Se tiver de ser no turno da noite, como vou fazer? Eles não pensaram no risco que a gente vai correr na estrada de madrugada”, reclamou.
O Memorial Djacy Barbosa está sob interdição ética desde a sexta-feira (13), por decisão do Cremal, que desde o início de 2019 encontra inconformidades na estrutura e no atendimento a pacientes no hospital. Dois dias antes da interdição, os conselheiros voltaram à unidade, mas informaram que as obras impediram a vistoria e que uma nova fiscalização só deve acontecer após a conclusão da reforma. Interdição ética consiste na proibição da atividade médica no local. Caso o médico descumpra a determinação do Conselho e continue atendendo pacientes no local, está cometendo uma infração ética e pode ser punido.
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