"Medidas mais extremas devem ser tomadas de forma localizada", diz Queiroga
Ministro da Saúde destaca as diferenças regionais e territoriais do Brasil
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, concedeu entrevista à CNN na manhã desta segunda-feira (29) e se opôs à adoção de um lockdown nacional. Segundo Queiroga, "medidas mais extremas devem ser adotadas de forma localizada".
A declaração foi feita ao comentar sobre as ações de restrição da locomoção colocadas em prática na cidade de Araraquara que desencadearam queda acentuada no número de casos e mortes.
“O erro é achar que um lockdown nacional sem que se faça a lição de casa antes seja a solução dos problemas”, afirmou. “O sistema de saúde é tripartite, medidas mais extremas precisam ser tomadas de forma localizada”.
"Não é com lei e colocando multa para as pessoas que conseguiremos a adesão das pessoas, é com campanhas educativas mostrando a importância do uso de máscaras".
Queiroga afirmou ter recebido autonomia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para montar uma equipe técnica na pasta e adotar as eventuais medidas necessárias. No entanto, o novo mandatário da Saúde reiterou que a sua gestão terá como orientação a continuidade das ações tomadas pelo general Eduardo Pazuello.
“É o mesmo governo, do presidente Jair Messias Bolsonaro, vamos avançar nas políticas que estavam sendo realizadas. Destaco a política de vacinação”, disse. Queiroga reforçou o compromisso do Ministério da Saúde em alcançar a meta de 1 milhão de pessoas vacinadas por dia no país e disse discutir com os membros da pasta a priorização de professores e agentes de segurança pública no Programa Nacional de imunização (PNI), além dos grupos já listados como prioritários.
De acordo com o ministro da Saúde, nos primeiros dias à frente da pasta, a sua gestão colocou em curso o planejamento de uma ação interministerial, que reúne as pastas da Economia, Infraestrutura e Defesa para a realização de ações extraordinários de enfrentamento à Covid, que envolvem, inclusive, o lançamento de um programa nacional de telessaúde.
“É um programa de telemedicina realizado em parceria com universidades públicas, com diversos especialistas, centralizado pelo Ministério da Saúde e distribuído para unidades de saúde do país”, afirmou.
O ministro não apresentou o prazo para que o programa de telemedicina seja colocado em prática, mas destacou que as medidas emergenciais a serem adotadas no mês de abril para que o país tenha queda nos indicadores da Covid-19 em relação ao mês de março envolvem a criação de uma Secretária Especial de Enfrentamento à Covid-19 - formada por especialistas e integrantes de entidades de classe - e o repasse de insumos que auxiliem os estados municípios no tratamento dos pacientes.
“No que tange a questão dos insumos essa obrigação é dos municípios, mas dentro de um ambiente de emergência de saúde pública internacional não tem como o ministério não assumir esse compromisso de distribuir isso dentro de uma logística organizada”, disse.
“Deixemos as diferenças de lado e façamos uma ação em cima dos pontos de convergência que são maiores no sentido de salvar vidas”.
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