Câmeras serão instaladas para ajudar a preservar espécie de roedor que só existe em ilha de SC
Ameaçado de extinção, Preá-de-moleques-do-sul vive em uma das ilha de arquipélago no litoral de Florianópolis.
Cerca de 15 câmeras de monitoramento devem ser instaladas em uma das ilhas do Arquipélago de Moleques do Sul em Florianópolis para garantir a proteção e conservação de uma espécie de roedor que só existe neste local. Segundo o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), o Cavia intermedia ou preá-de-moleques-do-sul está entre os 20 pequenos mamíferos mais ameaçados de extinção no mundo. Ele pertence à família da capivara e do porquinho-da-índia e vive cerca de 400 dias.
A data da instalação dos equipamentos para monitoramento ainda não foi divulgada, mas deve ocorrer em 2021, segundo o IMA. As câmeras servirão para estudar o comportamento dos mamíferos, mas principalmente, para flagrar a presença ilegal de pessoas no local. Segundo o plano de ação estadual de conservação da espécie, imagens da ilha e dos preás serão feitas e recebidas em tempo real por um escritório responsável.
As Ilhas Moleques do Sul estão incluídas no território do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, mas, mesmo assim, correm riscos, como explica o biólogo Carlos Salvador, do Instituto Tabuleiro e um dos pesquisadores que estudou o local e os animais.
"A maior ameaça do preá é o uso indevido da ilha. Por exemplo, pessoas não autorizadas que fazem acampamento e fogueira: isso pode causar incêndio e acabar com a vegetação. Eles também podem levar um predador, como um cachorro ou gato; um competidor, como um coelho ou cabra; podem levar doença de preá. Não precisávamos criar uma unidade de conservação para a espécie, porque ela já vive em uma unidade de conservação", aponta o biólogo.
O roedor não tem predadores naturais na ilha onde vive, sendo sua única ameaça o homem. Apesar de estar no parque estadual que é a maior unidade de conservação de proteção integral de Santa Catarina, um plano de ação estadual teve que ser elaborado para tentar evitar a extinção da espécie no Arquipélago de Moleques do Sul.
Preocupação global
Carlos conta que o plano de ação, criado para proteção do animal, entrou em vigência em 2019 e tem cinco anos de duração. A instalação das câmeras faz parte das ações pensadas por 41 participantes de 18 instituições para garantir a preservação do preá. O pesquisador explica ainda que a iniciativa de monitoramento faz parte de um esforço global.
"O financiamento vem do GWC (Global Wildlife Conservation) e do Centro de Pesquisa Greensboro, ambas instituições dos Estados Unidos. Lógico que sempre será preciso alguém local para botar a mão na massa, mas existem esforços em outros níveis, atuando de outras formas", explica o biólogo.
A ilha onde os animais vivem tem visitação proibida e a Cavia intermedia é a única espécie de mamífero no local.
Preá-de-moleques-do-sul
Em 1989 o preá-de-moleques-do-sul foi registrado pela primeira vez. Contudo, o mamífero sem cauda, com orelhas curtas e corpo robusto foi confundido com outra espécie de preá, que vive no continente.
Foi só em 1999 que um artigo descreveu o roedor como uma espécie diferente, batizada de Cavia intermedia. O preá é o único de seu gênero a ter um número diferente de cromossomos, segundo os pesquisadores.
O preá-de-moleques-do-sul é considerado o mamífero de menor distribuição do planeta, por concentrar-se exclusivamente em uma ilha, de cerca de dez hectares, que é administrada pelo IMA. O biólogo, Carlos Salvador, conta que essa espécie está isolada há oito mil anos.
"Para entender o conceito de raridade, é preciso levar em conta que existem duas medidas: quantidade de animais e distribuição geográfica Em relação à distribuição geográfica, poderíamos sim dizer que esse é o mais raro em vida livre, pois não se conhece outro mamífero com distribuição geográfica tão pequena. Já quanto à quantidade de indivíduos, é mais difícil afirmar, pois há outras espécies com números próximos. O rinoceronte de java, por exemplo, tem algo entre 40 e 100 indivíduos", conclui.
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