Músico 'reaprende' a tocar violino após quadro grave de Covid
Após internação de 67 dias, William teve dificuldades para controlar mãos e dedos
O arco que deslizava facilmente pelas cordas do violino há pelo menos três décadas, de repente, se tornou movimento difícil para o instrumentista William Barros. Violinista em duas orquestras de Belo Horizonte, ele teve quadro grave de Covid-19 e precisou ficar internado por 67 dias. Dezesseis deles em leito de UTI.
“Voltar a tocar foi um susto. Na primeira semana, me deu um desespero, porque o violino parecia um objeto que nunca tinha tocado. A parte mental estava toda pronta, sabia exatamente o que precisava fazer, mas a execução, o mexer os dedos, encontrei certa dificuldade”, afirmou.
Foram necessárias várias sessões de fisioterapia respiratória e motora para retomar a respiração e os movimentos precisos das mãos e dos dedos. Ele também precisou reaprender a andar. O resultado permitiu a reestreia dele com a Orquestra Sesiminas Musicoop, nesta quarta-feira (28).
"É um momento especial, porque tem a questão do retorno, de reencontrar os colegas. Quando tive Covid, internei, a gente não estava em plena atividade, se encontrando regularmente. Foi muito tempo sem encontrar. Tenho muitos amigos ali. Foi uma emoção voltar aos ensaios, tocar com eles", disse ele.
O diagnóstico da Covid, contou, veio logo que se preparava para a primeira apresentação virtual deste ano, em março. Rapidamente, ele viu o quadro de saúde se agravar e precisou buscar ajuda médica. No mesmo dia em que chegou ao Hospital Governador Israel Pinheiro, do Ipsemg, em BH, precisou ser internado e intubado.
O irmão Elias Barros, que também é músico na orquestra, o acompanhou da entrada no pronto-atendimento até a cura.
“Foi muito difícil. As notícias boas vieram a conta-gotas. A gente vivia um dia de cada vez. E comemorava toda pequena melhora como uma grande vitória”.

William Barros deixou o hospital 20 quilos mais magro, depois de ficar internado com Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal
Depois que saiu do hospital, ainda de cadeira de rodas, William precisou não só de fisioterapia e acompanhamento médico, mas também de uma dieta especial. Ele perdeu 20 quilos enquanto estava internado.
A recuperação veio mais rápido do que o esperado e, no final de junho, já comunicou à direção da orquestra que queria voltar a tempo para a apresentação deste mês.
O concerto, que ganhou o nome de "Os 3 Bês da música", reúne composições dos alemães Bach, Beethoven e Brahms. E, em homenagem a William, terá duas composições orquestradas por ele.
“É uma grande celebração da vida”, disse o irmão, Elias Barros.
A apresentação desta quarta será transmitida no canal da Orquestra.
Concertos com público
Com a volta do músico, o regente da orquestra, Felipe Magalhães, anunciou outra novidade: em agosto, os concertos voltam a ser realizados com público.
“Em agosto vamos fazer concerto onde a gente revisita as obras que apresentamos no ano passado, durante a quarentena. Vamos fazer várias das peças que a gente fez em vídeo para o público. Vai ter estreia mundial de uma compositora mineira, em homenagem às vítimas da Covid-19”, disse.
No repertório da primeira apresentação com plateia estarão trilhas de filmes, óperas, hinos de futebol e composições de mineiros como Juarez Moreira e Toninho Horta.
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