Escolas particulares de Arapiraca que negaram matrícula a criança autista serão investigadas pelo MP
A mãe de Samuel, a arquiteta Fernanda Quentino informou que já conseguiu a vaga, mas que vai lutar para que outras mães não passem pelo mesmo
O Ministério Público Estadual, através da 3ª Promotoria de Arapiraca, vai intervir no caso da criança autista que teve matrícula negada em quatro escolas particulares.
De acordo com a instituição, após tomar conhecimento sobre o caso, através de matéria publicada na última quarta-feira (11) pelo Portal 7Segundos, o MPE instaurou um Procedimento Administrativo extrajudicial, a fim de averiguar as informações para, ao final, solucioná-lo.
Através de sua assessoria, o promotor Luiz Cláudio Branco Pires entrou em contato com o Portal 7Segundos, que intermediou o contato entre a instituição e a arquiteta Fernanda Quentino, mãe do pequeno Samuel, de apenas seis anos.
"O propósito é buscar uma solução e não penalizar ou reprimir alguém", informou o MPE.
Nas redes sociais, Fernanda Quentino informou que conseguiu uma vaga para o seu filho, mas que, mesmo assim, pretende formalizar a denúncia para que outras mães não precisem passar pelo que ela passou.
Entenda o caso
No último dia 11 de agosto, Dia do Estudante, o Portal 7Segundos contou a história da arquiteta Fernanda Quentino e do seu filho Samuel, que é uma criança autista e teve matrícula negada em quatro escolas particulares de Arapiraca.

"O Samuel é uma criança autista, diagnosticada desde os dois anos e meio. Desde então, eu nunca tive nenhum problema com escola, até porque ele sempre estudou na mesma. Com a pandemia, nós tiramos ele porque não conseguia assistir às aulas online", explicou.
Segundo a arquiteta, no início do ano, ela conseguiu colocá-lo em uma outra escola, mas que não tinha estrutura para receber uma criança com autismo. Em junho, ela retirou ele da nova escola e resolveu aguardar o fim do recesso escolar para matriculá-lo em outra instituição. O problema é que ela já visitou quatro unidades educacionais e nenhuma delas tem facilitado a matrícula.
"Todas as escolas que eu visitei dizem que tem vagas, até o momento em que eu explico que ele é autista, daí vem diversas dificuldades", desabafou a mãe.
Crime passível de prisão
Negar matrícula a criança com espectro autista é considerado crime de discriminação, segundo a Lei Brasileira de Inclusão. Entretanto, na prática, ainda são poucas as instituições de ensino que facilitam o acesso dessas crianças a uma educação inclusiva.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é considerado uma deficiência desde 2012. Segundo a legislação brasileira, a instituição que negar matrícula a um aluno ou cobrar taxa extra em razão da sua condição, pode responder no âmbito cível e administrativo.
Em entrevista ao blog Universa, do Uol, a advogada Tatiana Takeda explicou que é muito importante reunir provas para denunciar a escola, entre elas a recusa por escrito.
Segundo ela, se comprovada a negativa de matrícula, existindo vaga, o gestor escolar incide tanto no artigo 8º, inciso I, da Lei n° 7.853/98, como no artigo 4º da Lei Brasileira de Inclusão.
Para a legislação brasileira, a recusa pode gerar mais que apenas multa. Os gestores escolares podem ser punidos de 2 a 5 anos de reclusão.
Últimas notícias
Laboratório OxeTech Penedo abre inscrições para cursos gratuitos de tecnologia
Justiça condena policiais envolvidos em homicídio e ocultação de cadáver de Davi da Silva
Programa Planta Alagoas beneficia 600 agricultores familiares de Penedo
Câmara Municipal empossa mais sete servidores aprovados no concurso público de 2024
Leonardo Dias denuncia possível greve na Saúde: “infelizmente, não me surpreende”
Jovem suspeito de tentativa de homicídio morre em confronto com a polícia em Colônia Leopoldina
Vídeos e noticias mais lidas
Publicado edital para o concurso do Detran; veja cargos e salários
Jovem morre após complicações de dengue hemorrágica em Arapiraca
Estudantes se formam na Uninassau Arapiraca e descobrem que curso não é reconhecido
Com avanço das obras, novo binário de Arapiraca já recebe sinalização e mobiliários urbanos
