Água-viva rara no Brasil é vista na Praia de Iracema, em Fortaleza
Espécie Phyllorhiza punctata, conhecida como água-viva manchada australiana não era encontrada no estado desde 2003
Uma água-viva rara no Brasil, da espécie Phyllorhiza punctata, conhecida como água-viva manchada australiana, foi vista na quinta-feira (23) no mar da Praia de Iracema, em Fortaleza. O animal é nativo do Pacífico Ocidental da Austrália ao Japão e já foi encontrada algumas vezes no litoral brasileiro. No Ceará, a espécie foi encontrada, pela última vez, em 2003.
Quem avistou a água-viva foi o empresário Thiago Macedo, de 35 anos. Ele nada na Praia de Iracema há, pelo menos, cinco anos e, desde então, nunca havia visto animais similares na região. "Eu vi de longe e parecia uma sacola. Fui me aproximar para retirar e, quando cheguei próximo, vi ela se mexendo. Aí pensei: 'caramba é uma esponja, mas, não, era uma água-viva gigante", explica.
O empresário estima que o animal marinho media entre 40 cm e 50 cm de diâmetro, "quase dois palmos", conforme explica; a medusa pode chegar a até 60 cm de diâmetro. Para fazer o registro, ele retirou sua câmera do stand up paddle, de onde acompanhava uma aula de natação no mar, para filmar e fotografar o animal marinho.
"Vejo aqui muitas caravelas, é comum no período de chuvas. Mas a água-viva me chamou atenção, então eu parei, comecei a gravar e ela estava bem plena na dela. Fiquei uns cinco minutos, e depois ela foi pro fundo", conta o empresário.
De acordo com o pesquisador do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), Marcelo Soares, a espécie é raríssima no Brasil e a última vez em que teve notícia de uma aparição sua no Ceará foi em 2003, quando realizou uma pesquisa sobre águas-vivas no litoral do Ceará. Naquele ano, ele só conseguiu encontrar um animal dessa espécie.
Conforme Marcelo Soares, ela é considerada uma espécie exótica, ou seja, não é nativa do Brasil.
"Possivelmente ela veio pelas embarcações, que são os maiores vetores de transporte de espécies pelos oceanos. Os animais vêm pelo casco do navio ou pela água de lastro, que fica dentro do porão do navio. Essa agua viva é rara e é a primeira vez que estou vendo ela desde 2003", conta o pesquisador.
A medusa, contudo, já foi vista em outros estados, como Paraná e Santa Catarina, mas varia conforme o ano e parece não conseguir se estabelecer no ecossistema marinho brasileiro. Segundo Marcelo Soares, no Golfo do México, onde ela se adaptou bem, explica, houve prejuízo de cerca de 10 milhões de dólares. No caso, ela entupia redes de pesca e impossibilitava o trabalho dos pescadores, causando prejuízos econômico e social.
Conforme o pesquisador, a Phyllorhiza punctata se alimenta de plânctons, base da cadeia alimentar marinha que está em todo o oceano. Além disso, a cor amarronzada decorre da presença de microalgas que vivem no seu interior em um processo no mundo animal conhecido como mutualismo.
"Essa cor marrom é porque, dentro dela, vivem algas. A alga pega a luz do sol e faz fotossíntese, produzindo alimento pra si e para a água-viva. Em troca, a água-viva dá espaço para elas viverem. Por isso que ela fica na superfície porque ela precisa da luz do sol para a fotossíntese", explica.
Marcelo Soares também orienta que o animal não deve ser tocado. Embora seja uma espécie menos venenosa que as demais, não se pode dizer que ela não pode provocar queimaduras, diz. Para evitar possíveis problemas em decorrência das toxinas, segundo ele, o ideal é não tocar e se afastar do animal.
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