Bolsonaro pagou 21.447 lanches com cartão corporativo na campanha
Gasto de verba pública durante viagem eleitoral é proibido; aliados negam ilegalidade
Notas fiscais obtidas pelo UOL revelam que Jair Bolsonaro pagou ao menos 21.447 lanches com cartão corporativo em viagens de campanha para reeleição. Os comprovantes incluem outras 5.075 compras de refeições, num valor total de R$ 754 mil. Mas os lanches não foram comprados para alimentar apenas a equipe de segurança e assessores do presidente-candidato —que girava em torno de 20 pessoas nessas viagens.
A cada local visitado, o cartão de Bolsonaro pagou por centenas de kits-lanche destinados a militares e policiais escalados para dar apoio de segurança a motociatas, comícios, festas de peão e cultos religiosos (veja a lista de compras). A prática é questionada por especialistas de direito eleitoral e segurança pública ouvidos pelo UOL. Eles afirmam que não cabe ao presidente da República —nem ao candidato— fornecer alimentação a forças de segurança locais escaladas para trabalhar nesses eventos. Muito menos usar o cartão corporativo da presidência para isso. Procurados pela reportagem, Bolsonaro e o PL não se manifestaram sobre as despesas.
Integrantes da campanha dele afirmam, contudo, que os gastos são legais, pois se referem à segurança presidencial em viagens.
Em outubro do ano passado, em plena campanha pela reeleição de Bolsonaro, o governo federal editou uma portaria que autoriza a solicitação de "alimentação, quando necessária, para os integrantes de apoio local". Mas com uma condição: "desde que os indicados não estejam recebendo diárias pelos órgãos ou entidades a que pertençam". Agentes de segurança pública envolvidos em operações com autoridades de estado como essas estranham a prática. "Quando você pede o apoio [de segurança], ele já vem com tudo pronto. As autoridades têm direito a escolta, mas o próprio estado que provê a alimentação" Robson Rodrigues, ex-chefe do Estado Maior Geral da PM do RJ Jair Bolsonaro (PL).
O que são e quem recebia os kits-lanche
Os dados sobre as compras do cartão corporativo de Bolsonaro entre agosto e outubro de 2022 —aos quais o UOL teve acesso— estavam sob sigilo e foram obtidos pela agência independente Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação. Além das notas fiscais e comprovantes de pagamento, a reportagem teve acesso a relatórios do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e do Departamento de Coordenação de Eventos e Viagens do então presidente.
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