Arapiraca

O homem das vassouras: mais de meio século de trabalho e tradição pelas ruas de Arapiraca

Aos 81 anos, Sebastião de Souza Viana ainda percorre as ruas de Arapiraca para vender o utensílio doméstico

Por 7Segundos 01/05/2023 07h07 - Atualizado em 01/05/2023 08h08
O homem das vassouras: mais de meio século de trabalho e tradição pelas ruas de Arapiraca
Sebastião de Souza Viana tem 81 anos e ainda produz e vende vassouras - Foto: 7Segundos

Sebastião de Souza Viana, 81 anos, é um trabalhador que faz dos personagens populares do cotidiano de Arapiraca desde a década de 60.
Durante 57 anos, ele percorreu e ainda percorre, as ruas de Arapiraca vendendo vassoura de palha. Por este ofício é conhecido como o 'homem das vassouras".

Com sua voz potente e um jeito único de falar passava pelas ruas de Arapiraca com o bordão melódico que ainda soa em nossa mente: "Olha a vassoura de espanar que vai passando a escolher o monte".

Quando as donas de casa ouviam essa cantiga falada, corria para a porta para comprar a famosa vassoura de palha de diversos tamanhos.

Atualmente, em tempos de internet, bluetooth e outras tecnologias, ele substituiu a voz natural por uma gravação que é repetida ao longo do percurso que ele faz em vários bairros do município.

O homem da vassoura diz que é natural de Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas, morou em Palmeira dos Índios, na capital paulista mas na década de 60 veio para Arapiraca e aqui fixou moradia. O ofício que garantiu o sustento da família durante toda a vida ele aprendeu com um artesão da terra dos xucurus.


Como nos tempos antigos, todo o processo de fabricação artesanal da vassoura é ele mesmo quem faz: compra o cisal bruto, colore as fibras e o faz o entrelaçado que se transforma no utensílio doméstico. 

Aos 81 anos e com uma memória invejável, ele lembra de datas e detalhes da trajetória de sua vida que impressionam.
Atualmente ele mora em São Sebastião, e vem à Arapiraca para visitar os filhos.

Quando pergunto como ele faz ter tanta disposição aos 81 e ainda trabalhar percorrendo as ruas da cidade, ele diz que não consegue ficar parado.

"Todos os dias acordo 5h da manhã e quando não estou vendendo vassoura procuro uma "reinação" pra fazer", afirmou com um largo sorriso no rosto.