Abandonada e sem manutenção, maior barragem de Alagoas apresenta riscos à população
Os relatórios destacarão os problemas identificados e farão recomendações para solucioná-los
A Fiscalização Preventiva Integrada (FPI) do Rio São Francisco realizou uma inspeção na barragem do açude Jaramataia, em Alagoas, construída pelo Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Os resultados revelaram algumas preocupações como abandono e falta de manutenção, o que pode gerar riscos à população que vive no entorno do local.
Localizado a 42 km de Arapiraca, sede da 13ª etapa da FPI em Alagoas, o barramento de Jaramataia é essencial para o abastecimento de água do município, além de sustentar uma colônia de pescadores tradicionais. No entanto, a infraestrutura apresenta sérios danos, evidenciados pela equipe de inspeção.
Os técnicos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Alagoas (Semarh), do Instituto do Meio Ambiente (IMA) e do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), juntamente com o Ministério Público Federal (MPF), constataram erosões na estrutura causadas pelo trânsito de veículos e pela falta de drenagem.
De acordo com o coordenador da equipe de Segurança de Barragens da FPI, Luciano Lima, os danos visíveis na barragem, ressaltando que a profundidade do vale e a vegetação densa, dificultam uma avaliação precisa, mesmo com o uso de tecnologias como drones. Além disso, a ausência de um plano de segurança da barragem por parte do Dnocs é preocupante.
O procurador da República Érico Gomes Souza, membro do MPF em Alagoas, expressou preocupação com a situação, enfatizando a falta de documentação sobre a segurança da barragem e a negligência do empreendedor. Ele destacou a importância de tomar medidas para garantir a manutenção e recuperação das estruturas, essenciais para a sobrevivência da população do semiárido alagoano.
Os relatórios finais da equipe de Segurança de Barragens da FPI, que serão entregues até o final da operação, destacarão os problemas identificados e farão recomendações para solucioná-los.
Construído na década de 60, o açude Jaramataia beneficia diretamente centenas de famílias, especialmente pescadores, e desempenha um papel crucial na mitigação dos efeitos da seca na região. No entanto, a falta de manutenção coloca em risco não apenas essas comunidades, mas também outras que poderiam se beneficiar do reservatório em caso de seca extrema.
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