Dentista suspeita de usar silicone industrial em Arapiraca é solta após audiência de custódia
A profissional, investigada por causar necrose em pacientes de Arapiraca, Lagoa da Canoa e Murici, deverá cumprir medidas cautelares enquanto o inquérito é finalizado
A cirurgiã-dentista suspeita de realizar procedimentos estéticos clandestinos com silicone industrial nos municípios de Arapiraca, Lagoa da Canoa e Murici foi solta após audiência de custódia, mediante o cumprimento de medidas cautelares. A informação foi confirmada ao 7Segundos, nesta quarta-feira (5), pelo delegado Edberg Oliveira, responsável pela investigação.
De acordo com o delegado, o inquérito será concluído ainda nesta semana. A profissional havia sido presa no dia 23 de outubro, após uma série de denúncias que apontam o uso de silicone industrial para aumentar e harmonizar glúteos de pacientes.
O caso veio à tona depois que três pacientes apresentaram graves complicações decorrentes das aplicações. As denúncias apontam que os procedimentos eram realizados em domicílio, sem condições sanitárias adequadas e com o uso de instrumentos caseiros. Familiares denunciaram que a dentista realizava os procedimentos nas casas das vítimas, sem ambiente adequado e sem higiene mínima.
“Uma das vítimas contou que a substância chegou a ser misturada em uma xícara dentro da residência antes da aplicação”, explicou Edberg.
As quatro pacientes afetadas — duas de Arapiraca, uma de Lagoa da Canoa e uma de Murici — sofreram complicações sérias, incluindo necrose, precisando de atendimento hospitalar.
“Os procedimentos irregulares causaram sérios danos à saúde das vítimas, tanto físicos quanto emocionais”, ressaltou o delegado.
Uma das vítimas deu entrada em estado crítico no Hospital Regional Nossa Senhora do Bom Conselho, em Arapiraca, e precisou ser submetida a cirurgias de emergência para retirada da substância. A paciente sofreu ampla necrose e perdeu grande parte do músculo e dos tecidos do glúteo e da perna.
A dentista teve o exercício da profissão suspenso por 30 dias, após decisão unânime do plenário do Conselho Regional de Odontologia de Alagoas (CRO/AL).
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