Tais Araújo e Lázaro Ramos encenam a peça 'O Topo da Montanha' em Maceió
Espetáculo acontece nos dias 19, 20 e 21 deste mês, no Teatro Deodoro, em Maceió
A peça 'O Topo da Montanha', com Lázaro Ramos e Taís Araújo faz turnê pelo nordeste brasileiro, seguindo sua carreira de sucesso, tendo já sido vista por mais de 70 mil espectadores, além de ter recebido uma indicação ao Prêmio Shell, de melhor atriz, para Taís Araújo. Agora é a vez de Maceió receber este espetáculo, que reinventa o último dia de Martin Luther King. A peça fez uma temporada de sucesso em São Paulo e em algumas das capitais brasileiras.
O 'Topo da Montanha', montagem que estreou em Londres, em 2009, ganhou versão na Broadway, em 2011, e começou sua trajetória de sucesso, em São Paulo, no dia 09 de outubro de 2015, protagonizada e também produzida por Lázaro Ramos e Taís Araújo, com direção de Lázaro Ramos e codireção de Fernando Philbert. Após uma temporada de quase um ano na capital do estado de São Paulo, a montagem já passou, sempre com sessões esgotadas, por Campinas, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro.
A encenação que conquistou tantos espectadores relembra que, há quase cinquenta anos, no dia 4 de abril de 1968, o mundo se despedia de Martin Luther King Jr, o pastor protestante e ativista político que se tornou ícone por sua luta pelo amor ao próximo e pelo repúdio à segregação racial norte-americana. Vale lembrar que somente entre 1883 e 1959, cerca de cinco mil negros foram linchados nos estados do Sul do país – e é este o momento histórico que a jovem dramaturga Katori Hall desconstrói na ficção.
O 'Topo da Montanha' faz alusão ao último grande discurso de Martin Luther King (I’ve Been to the Mountaintop). Em Memphis, na Igreja de Mason, no dia 3 de abril de 1968, Luther King acabara de realizar seu último sermão. É exatamente neste cenário, um dia antes de seu assassinato, cometido na sacada do Hotel Lorraine, do quarto 306 – e na sequência de suas derradeiras palavras públicas –, que Martin Luther King, interpretado por Lázaro Ramos, conhece Camae, encenada por Taís Araújo, a misteriosa e bela camareira em seu primeiro dia de trabalho no estabelecimento.
A escrita, diga-se, faz sentido mesmo quando comparada à situação política daqueles tempos. Para citar uma frase do espetáculo: “parem a guerra do Vietnã e comecem a lutar contra a pobreza” – vista sob a ótica do presente, ela ainda parece possível ser proferida e ressalta as características de um líder que “teve a força de amar aqueles que jamais puderam o amar de volta”.
“Este texto me perseguiu como ator por dois anos, por meio de pessoas que diziam que tinha de fazê-lo no Brasil. E é contemporâneo porque é uma história também sobre enfrentar medos. Sobre os trilhos da coragem e do afeto”, resume Lázaro. “Tínhamos muito receio de que o texto fosse americano demais e não tocasse as pessoas. Mas o tempo e uma boa tradução nos convenceram que as questões do amor e da igualdade são relevantes e próximas a todos nós”, complementa Taís.
A boa tradução para o português a que se refere Taís é de Silvio José Albuquerque e Silva, responsável por dar vida a temas universais e ainda envolventes. “Hall revela um líder ao mesmo tempo radical e pragmático, profético e imprevidente, sonhador, sedutor, frágil e, sobretudo, humano”, resume Silvio.
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