Deputada estadual repudia golpe militar e faz a defesa da democracia
Parlamentar declarou que data não pode ser comemorada e lembrou o bisavô
A deputada estadual Cibele Moura (PSDB) fez, nesta terça-feira (2), na Assembleia Legislativa Estadual (ALE), um pronunciamento contra o golpe militar de 1964, lembrou as vítimas da ditadura e disse que a democracia deve prevalecer sempre. “Nesse final de semana o golpe militar completou 55 anos. Esse período foi marcado pela tortura, mortes, barbárie, pela extinção, por um certo período de tempo, da democracia no Brasil. E aqui, nesse parlamento, eu quero fazer a defesa da democracia”, afirmou Cibele.
Ela destacou a importância de se poder discordar ou concordar no parlamento. “Da gente poder discordar, por exemplo, quando o assunto é o Fundeb, como vem acontecendo aqui. É o que a democracia prega. Mas isso a ditadura tirou da gente por um certo período de tempo. Foram 21 anos, ao meu ver, horríveis para o Brasil”, disse.
Para a deputada, o 31 de março, data em que o golpe foi deflagrado, não pode ser comemorado. “Ao contrário. É uma data que não pode acontecer no Brasil novamente. A gente tem que repudiar a ditadura militar e lembrar a importância que é a democracia para o País”, afirmou, ao citar os seis alagoanos mortos e três estão desaparecidos até hoje por se oporem ao regime.
Cibele lembrou ainda o bisavô, Abrahão Fidélis de Moura, cassado do cargo de deputado federal pelo Ato Institucional número dois (AI-2). “Quando alguém me diz: meu avô ou minha avó não sentiram nada na ditadura militar, viveram aquele tempo e dizem que era muito bom, eu lembro que meu bisavô foi deposto. E era um homem de bem. Lutava pela igualdade, por um Brasil mais justo. E aí eu faço um comparativo: eu nunca fui assaltada. Isso significa que a violência não existe ou que eu tenho privilégio? Significa que eu tenho privilégio. E foi assim na ditadura. Quem não sofreu o golpe militar era quem tinha privilégio na época”.
O golpe militar, afirmou Cibele, “foi muito danoso para o Brasil e a gente tem que defender a democracia sempre. Defender a democracia pelo bem desse parlamento, de Alagoas e do Brasil, porque aqui estão representantes do povo, pessoas que foram eleitas para discutir, discordar e convergir”, finalizou.
Em aparte, a deputada Jó Pereira (MDB) disse que não há que se comemorar um “golpe militar que trouxe episódios que nos marcam a alma enquanto brasileiros até hoje. A data serve, ao contrário, para lembrarmos que muitos brasileiros e alagoanos foram perseguidos, torturados, mortos. Isso sim serve de combustível para continuarmos agindo e sendo sempre democratas”.
O presidente da ALE, Marcelo Victor (SD) também pediu um aparte para parabenizar Cibele e repudiar o golpe de 64. Lembrou que os militares fecharam o Congresso à época e disse: “Quando se fecha o Congresso é porque não querem conviver com opinião diversa. Tomaram o poder com arma”.
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