Cresce o número de endividados em Maceió
Volume de contas em atraso também registrou elevação
Se até o final do ano passado os níveis de endividamento e inadimplência apresentaram queda, o primeiro trimestre de 2019 trouxe mudou esse contexto e em março houve alta do endividamento e das contas em atraso, embora tenha ocorrido uma leve baixa na inadimplência. A constatação é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) de Maceió, realizada pelo Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Foi o segundo mês de alta consecutiva.
Na variação mensal ocorreu um incremento de 3,11% no total de endividados e de 11,7% de endividados com contas atrasadas, mas houve redução de 8,57% no volume de inadimplentes. Na comparação anual (mar.18/mar.19) registrou-se uma elevação de 10% no nível de endividamento, mas o nível de contas em atraso é 3,7% menor, assim como a inadimplência, que registrou queda de 4,19% no intervalo de um ano.
Para o assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Alagoas (Fecomércio AL), Felippe Rocha, como os dados sobre consumo das famílias de Maceió apresentaram redução entre os meses de março e fevereiro, pode-se deduzir os aumentos do endividamento e de contas em atraso estão ligados a duas situações. “A primeira é a falta de renda, fazendo com que muitos indivíduos recorressem ao cartão de crédito para quitar suas contas. E a segunda situação complementa a primeira: o aumento do desemprego em Alagoas”, explica.
De acordo com o economista, quando uma pessoa usa o cartão para quitar dívidas anteriores acaba elevando o endividamento, o que acaba gerando problemas para a quitação total e, consequentemente, favorece ao atraso das contas; um comportamento que pode agravar a crise financeira se somado ao aumento do desemprego, já que Alagoas perdeu 7.289 postos de trabalho no primeiro bimestre, enquanto a capital apresentou uma pequena melhora ao criar 701 postos no mesmo período.
Nesse cenário no qual o cartão serviu como escape para a quitação de dívidas recorrentes (água, luz, gás e condomínio, entre outras), o uso deste instrumento financeiro foi responsável por 82,9% das transações, seguido pelos carnês de loja, que representaram 11,2% na compra produtos duráveis e semiduráveis. Outros meios de endividamento foram utilizados por 7,7%.
Analisando os 94 mil indivíduos da capital que estão endividados e pagando as contas com certo atraso (31,5%), pode-se constatar que para 45,2% deles possuem outro membro da família que também está com dificuldades de pagar suas contas em dia, enquanto para 54,7%, outros membros da família que moram em sua residência não estão tendo problemas para pagar suas contas. Ainda sobre o grupo de indivíduo com dívidas em atraso, nota-se que o tempo médio que estão permanecendo nesta realidade é de 77,5 dias.
No caso dos 48 mil inadimplentes (16%), apenas 12,6% informaram que no mês subsequente conseguirão pagar integralmente suas dívidas. Já 22,4% dos inadimplentes informaram que pagarão apenas parcialmente, mantendo-se na mesma situação, enquanto a maior parte (50,8%) dos inadimplentes afirmaram que não terão condições de propor acordos iniciais de pagamento, rolando por mais um mês os juros da dívida.
No geral, os endividados estão passando, em média, cerca de 5,2 meses com uma dívida e comprometem cerca de 19,7% do seu orçamento. “Embora este seja um indicativo saudável de comprometimento da renda pessoal, aqueles que estão incertos da manutenção dos seus postos de trabalham devem tomar mais cautela e evitar qualquer tipo de compromisso da renda em dívidas”, aconselha Felippe.
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